2 de março de 2022

Estamos prontos para o novo?

Há sinais de graça e de paz. O poder de morte da pandemia está se definhando. Certamente chegarão dias melhores, dias de graça e de fé no novo que virá e, em fragmentos, já está presente. Estamos no tempo de advento da pós pandemia, em gestação, grávido de novidades. Precisamos primeiro olhar com atenção e cuidado, para o que já acontece entre nós. Antes de reunir muitas ideias e correr o risco de flutuar da realidade e do contexto em que vivemos, ou arriscar opiniões e diagnósticos infundados sobre o que vem por aí. Vamos olhar com curiosidade e amor para as atividades das comunidades, dos grupos, das lideranças, dos membros. Qual o nível da nossa fidelidade e compromisso com a vida comunitária de fé, com nossas ações de amor, com a nossa participação na missão de Deus? Percebemos que vamos estar bem com o novo que virá se promovemos o melhor em tudo o que já está vivo, que está em movimento em nossa vida comunitária de fé. Mas precisamos também reconhecer o pecado de posturas e ações que apressadamente condenam ou negam o presente, sem aprender do que está em curso, que está acontecendo. Não edifica a comparação viciosa daquilo que agora acontece com o passado, com o que escolhemos lembrar do passado. O retorno ao passado compromete o futuro. Jesus ensinou em Lucas 9. 62: “Quem começa arar a terra e olha para trás não serve para o Reino de Deus”. Essa palavra de Jesus fala para nós e nos fortalece. Ter atenção e foco no que está à nossa frente. Se olharmos para trás perdemos o foco e não conseguimos servir ao novo que virá. Ao passado devemos gratidão. E o futuro exige nossa dedicação. A Igreja de Jesus Cristo, sua dinâmica e poder transformador é um movimento vivo. Ao passado cabe ações de graças, gratidão. Ao novo faz-se necessário desenvolver a capacidade de ver e ouvir, a coragem de envolver-se com o desconhecido, com o frágil, com o que extraordinariamente procede das mãos de Deus. Rumo ao novo, mesmo que em parte desconhecido, faz bem conceber que há um nível de fragilidade presente nesse caminho. Essa percepção leva à necessidade de cultivar o fortalecimento da fé, da evangelização, do envolvimento em ações de amor. Recebemos essa força quando construímos comunhão, praticamos o evangelho e nos motivamos para caminhar juntos, em comunidade. Sabemos que a construção de comunhão e a movimentação conjunta exigem preparação, atualização e motivação de todas e todos: membros, cada pessoa batizada, lideranças, presbíteros, presbíteras, coordenadores e coordenadoras, ministros e ministras. Oramos a Deus: Vem com o seu Santo Espírito e desperte todas e todos nós para o novo, para o que vem. Dá-nos a vida, dá-nos liberdade, dá-nos a salvação.

24 de fevereiro de 2022

Abandonaram Jesus

No passado e nos tempos de hoje perguntamos: Para onde iremos? Para quem iremos? Essas dúvidas surgem de um enorme vazio: falta amor, diálogo, comunhão, pão, dinheiro, justiça, solidariedade, partilha, alegria, gratidão. O que vai acontecer? Onde ancorar o nosso barco? Em qual fundamento construir a nossa vida?
O Evangelho de João (6.7-8) narra uma crise. Em certo momento muitos que seguiam Jesus o abandonaram. Então Jesus perguntou aos seus discípulos mais próximos: Vocês também querem ir embora? Simão Pedro responde: Quem é que vamos seguir? O Senhor tem as palavras que dão vida eterna. Na crise daquele tempo, Pedro e os demais discípulos optaram em seguir ao Deus que veio ao mundo iluminar a escuridão, fundamento permanente, eterno, a vida que permanece – o Cristo de Deus – a presença salvadora de Deus na vida e no mundo.
Hoje acontece um esvaziamento dos fundamentos e valores da vida. Cada um passou a ser o centro e o juiz de tudo e de todos. Abandonaram Jesus Cristo. Outros fizeram pior: Criaram um Jesus semelhante ao cachorrinho de estimação, e o domesticaram. Fazem discursos, espetáculos e passeatas, para dar voz e cultivar a imagem do cachorrinho que “adoram”.
Porém, nós temos a opção de Pedro e dos discípulos. Dizer a Jesus Cristo: O Senhor tem as palavras da vida eterna, o caminho, a verdade e a vida. Tu és o fundamento. Vamos te seguir. Fazer o bem. Amar de fato e de verdade. Viver em comunidade. Anunciar o evangelho. Construir esperança, sustentar espaços que abrigam ações de diaconia e de paz.

Meditação Lucas 6.27-38

Lucas 6.27-38
Destaco nessa meditação: O amor ao inimigo e O chamado para sermos misericordiosos tal como o é nosso Pai. O mandamento do amor ao inimigo atualiza a lei do povo de Deus que exigia amar o próximo, os compatriotas, e os estrangeiros que viviam em suas terras. (Lv 19.18). Também a ética do Olho por olho e dente por dente (Lv 24.19s) é atualizada. Conforme relato no evangelho de Lucas conhecemos o mandamento do amor ao inimigo anunciado por Jesus. Jesus atualiza o mandamento. Amar o inimigo é não imitar o inimigo, não fazer tal como ele faz – Como está escrito em 1 Tessalonicense 5 : não retribui o mal com o mal, mas fazer o bem. Lucas escreve para grupos e comunidades formados por pessoas da cultura grega, chamados de gentílicos. Muitos eram os inimigos dos cristãos. O texto nos permite uma lista de inimigos daquela época: Os que odiavam, que amaldiçoavam, que maltratavam, os que batiam no rosto – desrespeitavam, que roubavam a roupa – a capa – do outro, os que tiravam os bens, recebiam empréstimos e não devolviam, os que julgavam e condenavam. Certamente os grupos e comunidades cristãs eram perseguidos, humilhados e desconsiderados. Em todo o texto está presente o chamado para fazer a diferença. A comunidade de Jesus Cristo é chamada para vencer o mal com a misericórdia, com o amor. O texto fecha com a admoestação para amar, perdoar, emprestar, não julgar, doar a roupa toda – se preciso – Fazer ao outro, à outra, a mesma coisa que gostaria que elas fizessem por você. Ser misericordioso assim como é o Pai. Essa é a diferença: Ser misericordioso assim como é o vosso Pai. Nesse texto aprendemos de Jesus que os filhos e filhas de Deus precisam fazer a diferença. Ter a coragem de fazer mais do que o que todos fazem. – Disse: Os maus também amam os maus. Os maus também ajudam os maus. Jesus diz que é preciso imitar a Deus – Ser misericordiosos como Deus é misericordioso, ao ponto de amar o inimigo. Essa nova ética proposta por Jesus, viver a ação misericordiosa de Deus. Prática que leva os cristãos a fazerem a diferença. Ou seja, não ser, não se comportar, não agir como os maus. A promessa de Deus, que haverá um novo céu e uma nova terra – Apocalipse; o anúncio de um banquete em que todos os povos participarão, são anúncios da futura ação de Deus. A salvação, a misericórdia de Deus criarão a plenitude de vida eternamente. Jesus traz para o mundo o A ação futura de Deus é o fundamento para o mandamento do amor ao inimigo. Esse mandamento chama filhas e filhos de Deus, libertados pela graça, para imitar Deus, o Pai misericordioso. Pela graça e fé, ao imitarmos Deus no mundo, nos incluímos no novo, na plenitude que virá das mãos de Deus. Amar o inimigo ilumina o presente, com o que há de vir – a nova Criação sem ódio, violência, humilhação, julgamento, humilhação, roubo, injúria, perseguição. Essa é a promessa de Deus. Essa palavra do evangelho de Lucas nos desafia a perguntar pelos nossos inimigos. Identificá-los. Muitos são os nossos inimigos, que também são inimigos de Deus. Todos os seres humanos que odeiam seus pais, Pais que odeiam filhos, que matam, roubam, adultera, mentem e praticam injuria, cobiçam, humilham, perseguem ... são inimigos da vida no mundo e inimigos de Deus. Nós mesmos podemos agir como inimigos uns dos outros e de Deus. Há inimigos entre nós, na comunidade, em muitos lares, na rua, no trabalho nos espaços de lazer, no trânsito, em todos os lugares. Entre nós e na sociedade – lá onde estiver o ser humano haverá violência, ódio, condenação, perseguição, roubos, humilhações, desprezo, ganância, mentira, ilusão. Mas Deus pode transformar, salvar os seres humanos. Com fé em Deus e praticando a sua misericórdia, nós pecadoras e pecadores podemos construir comunhão, armazenar bênçãos, descobrir o sentido para a vida, cuidar uns dos outros, receber coragem para servir, nos organizar em comunidade do Salvador Jesus Cristo e fazer a diferença. Quando praticamos a misericórdia de Deus, ganhamos a graça de no mundo participar dos sinais e da luz que aponta para o futuro, a plenitude da vida. Onde não haverá inimigos. O amor ao inimigo é mais um motivo que nos tornam sedentos de comunhão com Deus, de ouvir a sua palavra, de participar dos seus sacramentos, louvar, adorar, construir, sustentar comunidades, organizar grupos para agir, amar, cuidar, ouvir e falar, testemunhar e servir.

8 de dezembro de 2021

Maria participou na missão de Deus

Maria estava grávida do menino Jesus, o filho de Deus. Ela participou na missão de Deus de revelar ao mundo e à Criação o rosto do amor, o poder salvador. Isabel disse a Maria — Bendita é você entre as mulheres, e bendito o fruto do seu ventre! E que grande honra é para mim receber a visita da mãe do meu Senhor! Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor. A fé e a confiança no que virá envolveu Maria de alegria, a alegria de ser serva do amor de Deus, a alegria de participar da ação salvadora de Deus, de nascer no mundo, através do menino Jesus. Maria está alegre. Uma israelita que recorda a ação de Deus a partir de Abraão. Ela sabe que, através da história, Deus sempre foi fiel. Ela conhece o amor de Deus. Ela acredita no que lhe foi anunciado, acredita na promessa de Deus, de torná-la mãe do Seu Filho Jesus, o Salvador. Felizes somos nós, hoje, que nos alegramos ao participar da missão de Deus de amar as pessoas, cuidar, doar, proteger, ouvir, orientar, de carregar fardos juntos. Felizes somos quando participamos em comunidades de Jesus Cristo, louvamos e agradecemos, nos alimentamos da palavra e do evangelho. Assim, encantados pela obra salvadora de Deus, com fé e coragem, tal como Maria, esperamos e confiamos nas promessas de Deus, na vida nova, no novo que virá das mãos de Deus. Logo já é Natal do menino Jesus. Temos motivos para a alegria e para alimentar a nossa fé nas promessas e na ação salvadora de Deus. Podemos ser como Isabel e Maria. Podemos participar da obra maravilhosa de Deus de iluminar o mundo com suas dádivas, com o seu amor, com o seu gesto de nos estender a mão, colocar-nos em seu colo, e nos guiar pelos caminhos de paz, de justiça, de fraternidade, de abrir os nossos olhos para vermos horizontes, traços e cenários do novo que chegará. Abençoado Advento! Logo vem o dia de celebrar e viver a fé na ação maravilhosa de Deus, na doação do amor, da luz, da salvação ao mundo e à humanidade. Que a presença de Deus lhe transforme e lhe encha de alegria. Participe da missão de Deus, não só com palavras, mas de fato e de verdade. Paz para você e para a sua casa!

7 de dezembro de 2021

Caminhar com Deus para o novo

Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e o mais ele fará. Sl 37.5 Uma palavra de confiança e esperança, fruto da fé do povo de Deus. Caminhar para o novo com a certeza de que Deus está à frente. No caminho haverá coisas ruins e coisas boas. O caminho não será uma escada que avança perfeitamente em direção ao céu. Ele é como uma estrada em que há belas paisagens, mas também abriga tempestades, que oferecem risco a quem caminha. Essa palavra do Salmo anuncia a fé de quem já confiou o seu caminho a Deus, e viu que Ele se faz presente, guia e salva. A passagem para um novo ano traz esta mensagem. É semelhante a uma estrada que ainda não conhecemos e, por isso, não conseguimos prever tudo o que acontecerá. É preciso crer. Partir em direção ao novo com a confiança de que Deus está conosco e que chegaremos salvos no final da jornada. Assim, em cada novo ano superamos acontecimentos desafiadores, e construímos momentos de comunhão uns com os outros e com Deus, em meio à alegria e à dor, marcados por fracassos e superações. A repetição deste rito de passagem a cada final de ano pode parecer algo repetitivo e rotineiro. Mesmo assim, sempre esperamos o novo e alimentamos a esperança de que, com Deus, a vida será melhor nos próximos 365 dias de caminhada. Deus está conosco, e tal como o salmista orienta entregamos o novo que virá nas mãos de Deus. E, pela fé, descobrimos que há sempre espaço para a esperança de que coisas boas e novas nos aguardam, mesmo em meio aos desafios do cotidiano. Ano novo. Vamos caminhar!

O Encontro dos pastores com Maria, José e o menino Jesus

A tradição cristã nos facilita ter em mente o cenário do local onde nasceu Jesus. A estrebaria, os animais, o menino deitado na manjedoura, Maria e José. E não podemos esquecer os pastores de rebanho. Belém era uma região propícia para a criação de rebanhos ovinos. Certamente os pastores mantinham tradições do povo nômade. Sustentavam-se cuidando dos seus rebanhos. As estrebarias eram seus espaços de descanso, e em suas mediações acampavam, trabalhavam e viviam. Os pastores foram surpreendidos pelos anjos de Deus que anunciaram a eles a notícia do nascimento do salvador: “Um anjo do Senhor apareceu, e uma luz gloriosa brilhou...E a alegre notícia chegou: Hoje nasceu na cidade de Davi o salvador, o Messias, o Senhor. Os anjos espalharam alegria. Fizeram uma cantata. Cataram “Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem! (Lc 2.8-14). Os pastores foram os primeiros a chegar ao local do nascimento do Salvador, ali encontraram Maria, José e o menino na manjedoura. E contaram o que tinham visto e ouvido. Aquele encontro gerou diálogo, acolhida, comunhão, segurança e paz. E Maria guardava as conversas, os relatos e o testemunho em seu coração. Jesus nasceu em um espaço típico de um povo nômade. Eles eram desprezados, considerados impuros. Os fariseus – grupo religioso da época, os acusavam de enganadores e ladrões. Não tinham direitos civis. A vida e as atividades deles era a mesma dos grandes personagens da Bíblia: Abel, filho de Adão, as famílias de Abraão, Jacó, Arão, Moisés, Davi. Assim viveu a maioria que criou o Estado de Israel, chamado na Bíblia de povo de Deus. Os pastores de Belém, o povo rejeitado e considerado sem dignidade, foram os primeiros a receberem a notícia do nascimento de Jesus o Salvador. Maria, José e o menino Deus foram acolhidos, recebidos pelos criadores de animais, os pastores de Belém. No Natal em UNIÃO precisamos destacar essa escolha, essa ação de Deus, revelada no cenário do encontro de José, Maria, o menino Deus com os pastores de Belém. Testemunhamos que o salvador veio para um mundo de contradições, injustiças, exclusões. E, assim, iniciou a sua ação salvadora no mundo a partir dos sem poder e desprezados. O Natal em União destaca essa ação maravilhosa de Deus, que veio ao mundo para reconciliar, transformar e fazer novas todas as coisas. O menor é o mais importante. Ninguém pode faltar ao banquete da vida. Nasceu no mundo o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas. E a estrabaria, a realidade e o contexto dos desprezados e humildes não lhe são estranhos. E nós, nesse tempo em que vivemos, somos esse povo que necessita da notícia nova da salvação, de diálogo, acolhimento, segurança, paz, amor, e luz para os nossos caminhos.

18 de novembro de 2021

O último e o penúltimo

Vamos refletir sobre a chegada plena da salvação e sobre o tempo anterior, de espera, da vivência da fé. Para facilitar usamos de duas palavras: O penúltimo e o último. O último é o templo da plenitude, quando Deus fará novas todas as coisas (Ap 21.5). O penúltimo é o tempo em que vivemos aqui, na Criação de Deus, quando ainda somos humanos, pecadores. Creio que sobre o último não há muitas contendas, disputas sobre o verdadeiro, ideológico, político, humano. Há vários relatos sobre o céu e a eternidade. Mesmo diferentes, todos se referem a centralidade e ao poder criador, salvador e último de Deus. O nosso grande desafio está no tempo penúltimo. Na espera da plenitude permanecem em nossa vida e na igreja a imperfeição humana e o pecado. Clamamos no Pai Nosso “Venha o teu Reino”, mas queremos definir qual o reino que deve chegar. Mesmo com a antecipação da justiça de Deus, do seu perdão e do seu amor a vivência da fé em comunidade ou individualmente permanece nublada, imperfeita e provisória. No penúltimo, filhas e filhos de Deus fogem da cruz e duvidam da ressurreição. Sutilmente Anulam Jesus e sua obra de amor e salvação. Gritam “Senhor, Senhor”, mas não aceitam a presença de Deus, em Cristo, na realidade penúltima onde ainda há morte, mentiras, ódio, pecados e poderes da humanidade. Continue essa reflexão! Somos livres e praticamos a fé, por causa da ação salvadora de Jesus. Mas, devido a nossa condição humana, pecamos e insistimos nesse tempo penúltimo em humanizar Deus e em negar o seu amor e justiça.

3 de novembro de 2021

Os jovens e a esperança

Os jovens participam das comunidades, onde individualmente ou em grupos vivem a fé em Jesus Cristo. Assumem tarefas comunitárias, gestos e serviços que exigem amor e participação. Resistem aos limites impostos pela Pandemia do Covid 19. Não permitem que os seus dons, planos e sonhos sejam amarrados e apagados. Nesse tempo precisamos socorrer uns aos outros. Também os jovens precisam de ajuda, de estímulos para viverem a sua maior vocação, o dom de construir esperança e torná-la viva e real. A história nos conta que jovens promoveram mudanças, questionaram valores danosos. Sofreram e romperam com mentiras, violência e ódios presentes em suas casas, escolas e ruas. No cenário mundial, ainda hoje, jovens são protagonistas que promovem questionamentos, mudanças e tranaformações. Essa história e a vocação de Deus não autorizam conteúdo e valores da morte, da indiferença, de fundamentalismos e ações que sufocam, desanimam e adoecem os jovens. A participação deles nos espaços comunitários de fé e sua vocação não podem se apagadas. A vela acesa não pode ser colocada no porão da humanidade (Mc 4.21). Os jovens precisam de motivação e espaços para continuarem sua missão de servir e de encantar a vida com seus gestos, testemunhos, sonhos e esperanças. Nossas comunidades, toda a igreja e nossas casas precisam dos jovens, da sua vivacidade e vocação. Necessitam do encanto pela vida, alimentado pela esperança, sinais da missão de Deus que revelam a novidade de vida. Todos nós, filhos e filhas de Deus, quando cansados e desanimados, presos ao passado, necessitamos de luz, de esperança, de exemplos vivos que desviem nossos olhos e mentes para o novo que virá.

30 de setembro de 2021

Na escuridão Deus é a nossa luz

Deus é a nossa luz. Na escuridão Deus é a nossa luz. No caminho de Jesus não encontramos trevas. A pandemia aumentou a escuridão. Travou o movimento da sociedade, confundiu os poderes instituídos, paralisou instituições, setores da economia, a casa, as igrejas, atividades pessoais e comunitárias. Se estávamos no escuro, no início da pandemia encontramos com as trevas. Milhares morreram, milhares ficaram órfãos, milhares choraram o luto, milhares sofreram em hospitais. E a panemia continua. O céu ainda está nublado. Vivemos momentos difíceis. Conhecemos o que de fato é ser provisório, vulnerável, passageiros. Depois de um ano e meio vários horizontes são apontados, mas as previsões não são confiáveis. Não sabemos bem como serão os próximos meses e anos. Mesmo na escuridão conhecemos a luz, falamos da luz, testemunhamos a luz. Porque cremos que Deus está conosco. A promessa de Jesus Cristo foi real até agora. Não estávamos sozinhos e não estamos sozinhos. Reinventamos a forma de culto. Com tristeza sepultamos os mortos, colocamo-nos ao lado dos sofridos, ajudamos, repartimos e partilhamos com a fé em Jesus Cristo. Jesus Cristo nos iluminou e nos ajudou a construir esperanças. Tornamo-nos fortes. Resistimos. Servimos. Praticamos diaconia. Anunciamos a presença de Deus. A palavra de Deus continuou sendo estudada e proclamada. João 8.12: Jesus disse: - Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. Andar nas trevas... Como é viver nas trevas? Sem rumo, sem caminho... O que conseguimos fazer nas trevas, no escuro? Na luz somos mais fortes. Temos mais liberdade. O que sabemos sobre a luz? A Criação inicia com a luz! Gn 1.1-3 : No princípio Deus criou os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre as águas. Então Deus disse: - Haja luz. E houve luz. Luz é muito importante para a vida. Todas as formas de vida do planeta necessitam, direta ou indiretamente, dos efeitos da luz solar para viver. No caso dos humanos, além da manutenção da temperatura ambiente, a incidência dos raios solares permite processos químicos importantes, como a produção de vitamina D, responsável pela fixação do cálcio em nosso corpo. A luz solar é fundamental, ainda, para que as plantas possam realizar a fotossíntese, processo através do qual os vegetais transformam gás carbônico em glicose (que é absorvida por eles) e em oxigênio (liberado para a atmosfera). Surpreendentemente, doenças como Alzheimer, Esclerose Múltipla, Depressão, Insônia são combatidas pela simples emissão solar. A sensação de alívio e prazer, contudo, é gerado por essa exposição capaz de acelerar a cura de várias doenças e contribuir, inegavelmente, para a qualidade de vida. A luz do Sol é Criação de Deus. A luz de Cristo é mais do que a luz do sol. A luz de Jesus é a luz de Deus. A luz de Deus no mundo ilumina nossos passos, mostra o caminho. Equilibra a nossa vida de fé. Quando tudo está confuso, misturado, brigado, na luz de Jesus Cristo, na luz de Deus encontramos respostas, verdade, vida. A luz de Jesus Cristo é maior do que a escuridão da morte e nos confirma a ressurreição. Na escuridão, no caos do mundo, na doença, no sofrimento, no abandono, na solidão, na pandemia precisamos da Luz de Deus. Ela é a nossa maior vitamina para a vida no mundo. Ela nos dá coragem para seguir em frente e esperar o novo que vem das mãos de Deus. Vamos caminhar pela luz de Deus. Queremos ser guiados pela luz de Deus.

Sair fora dos falsos deuses

2 Reis 5.17 – Naamã disse: De agora em diante eu não vou oferecer sacrifícios e ofertas que são completamente queimadas a nenhum deus, a não a Deus, o Senhor. Irmãos e Irmãs em Cristo! O rei Naamã, ao seu curado de uma doença grave, reconheceu Deus o Senhor, como único Deus. Prometeu não adorar e fazer sacrifícios a outros deuses. A idolatria, a adoração a outros deuses ainda está presente em nosso mundo. A busca por uma vida melhor, mais riquezas, mais felicidades, facilidades, privilégios, geralmente nos levam até falsos deuses. Deixamos de aceitar o amor de Deus, o evangelho, e buscamos deuses que podemos comprar, mandar e que fazem o que nós queremos e que nos digam o que queremos ouvir. A palavra de hoje é um testemunho de uma pessoa que decidiu jogar fora os outros deuses, os falsos deuses, e entregou a sua vida e tudo que tem ao Deus, o Senhor. Você, ouvinte, tem claro a sua opção de fé? Você adora e confia sua vida, e segue ao Deus do evangelho, Deus do amor, que veio ao mundo e venceu a morte e nos deu a vida que ressuscita? A palavra de hoje convida você para prestar atenção na sua vida e voltar-se para o verdadeiro Deus, que é luz do mundo, pai da eternidade, príncipe da paz. Esse é o Deus de misericórdia que sinaliza a nossa vida com os dez mandamentos. O Deus Espírito Santo que, desde o batismo, está presente em nossa vida. Esse é o Deus, o Cristo que, a partir da cruz e da ressurreição, se faz presente em nossa realidade, em nossa casa, em nossa cidade, em nossa vida. Esse é o Deus que tem o poder de nos consolar, nos amparar, de colocar-se ao nosso lado também quando tudo está difícil, também quando tudo vai mal: na doença, no luto, na perda, na injustiça, na falta de oportunidades. Esse é o verdadeiro Deus que encontramos na fraqueza. Ele não nos abandona quando perdemos. A sua sabedoria não é sabedoria humano. Esse é o Deus da comunidade cristã, da Igreja de Jesus Cristo que insiste em pregar o amor, a paz, a reconciliação, que anuncia o perdão, que valoriza os dons de cada um e chama a todas e todos para caminharem no caminho da busca pela dignidade, sendo solidários, doando, ajudando, socorrendo, orando, louvando, confraternizando, e juntos construindo esperança e confiança nas promessas de Deus. A palavra de hoje convida você e eu para abandonarmos as falsas esperanças, os falsos deuses e, em vez disso, entregarmos a nossa vida e o nosso caminho ao Deus de amor, o Senhor.

Desafios da Igreja nas Metrópoles brasileiras

Entre os desafios das Igrejas na metrópole, em especial, das comunidades da nossa IECLB escolho o teológico: Onde está a Cruz de Cristo nas ...