24 de outubro de 2017

Bênção

Quando vamos ao culto recebemos a bênção de Deus. Retornamos ao caminho do dia a dia sob o olhar de Deus, envoltos com a sua paz e a sua misericórdia. A bênção é parte da liturgia de despedida, quando ao final do culto, a pastora ou o pastor, a partir do altar impõe as mãos em direção a comunidade e profere palavras de bênção. É uma oração que anuncia e, ao mesmo tempo, roga a Deus bênção: misericórdia, paz, e o olhar de Deus que ilumina e marca as pessoas com o seu cuidado e amor. A bênção está presente nas celebrações, no sacramento do batismo, nos ofícios da confirmação, do matrimônio e de bodas, nas despedidas e nas visitas aos enfermos.
Deus orientou a Moises para ensinar a Aarão como abençoar o povo (Números 6.22-27. Os sacerdotes cantavam a bênção no templo com alegria e confiança, dádiva gratuita de Deus, independente de merecimentos. Jesus encontrou os discípulos com medo, após a morte de cruz e a ressurreição e anunciou a eles a paz. A presença, o amor e a misericórdia de Deus tornam-se visíveis na bênção, que marca as pessoas com a proteção e a paz.
Quando eu era adolescente ouvia da minha mãe: ”aquela pessoa está com o capeta no coro” (na pele). Ela se referia às pessoas violentas, injustas, perigosas. Não é errado afirmar que em nossos dias há muitas pessoas com o “coro” contaminado. Por outro lado, é correto dizer que milhares de pessoas participam das comunidades de Jesus Cristo, vão aos cultos, recebem os ofícios da vida comunitária de fé, e vivem sob a bênção de Deus. Dias e noites caminham, resistem aos poderes do mal e às injustiças, e participam da construção da paz.

 Aarão aprendeu a abençoar o povo que caminhava no deserto, numa situação de provisoriedade, necessidade, medo e insegurança. Nosso tempo hoje é de crise. Tudo parece frágil e perigoso. Vivemos entre as pessoas que adoram o mal, as injustiças, o poder injusto, a discriminação. Nesta realidade necessitamos da bênção de Deus, anunciada e rogado na liturgia final do culto. Queremos viver abençoados, com coragem, com esperança, com sede de fé e de paz, marcados pelo olhar de Deus.

28 de julho de 2017

Doar com generosidade

“Ao que muito pegou, nada sobrou; ao que pegou pouco, nada faltou!” (Êx.16.18)

A partilha generosa de bens e de cuidados, exercida com amor, é missionária. Ela comunica Deus, comunica misericórdia, expressa amor. A solidariedade cristã é profundamente espiritual. Sempre surpreendente é mensageira de novidade de vida. Ela é missionária.
Para o apóstolo Paulo a doação de bens e de dinheiro aos necessitados é uma ação espiritual, uma revelação da graça de Deus (2 Co 8.1). Ele envolveu-se em duas grandes campanhas de arrecadação de auxílio aos pobres em Jerusalém (Atos 11 e 2 Coríntios 8-9). Ao motivar as doações na comunidade de Corinto, na campanha em favor dos cristãos em Jerusalém (8.1ss), ele cita a partilha das comunidades pobres da Macedônia em favor dos cristãos da Judéia: “embora sendo muito pobres, deram as suas ofertas com grande generosidade” (8.2). As doações tornaram-se testemunhas da graça e da ação transformadora de Deus.
O Imperador Juliano (361-363), que negou o cristianismo, embora batizado e educado na fé cristã, naquela época constatou (Epístula as Arsacium) que a prática cristã, baseada na solidariedade e no cuidado com os necessitados, promovia o cristianismo em seu Império com maior eficácia do que as outras religiões.
Nesta reflexão é bom incluir afirmações do Reformador Martin Luther: “Se cada qual servisse ao seu próximo, o mundo inteiro se encheria de adoração a Deus”. “Tanto o sujeito que trabalha no curral como o menino que estuda na escola servem a Deus”.
O Reformador concebeu a presença incondicional de Deus na diaconia, na solidariedade, no amor ao próximo. É surpreendente e abençoada a compreensão teológica daquela época de que o quotidiano das pessoas, vivido com ética e dignidade, é serviço a Deus.
Entretanto, já ouve o tempo (combate ao iluminismo) em que muitas Igrejas pregavam a participação humana na construção de um mundo mais justo e digno como uma concorrência à glória de Deus, à ação transformadora de Deus. Deus e os seres humanos eram vistos como rivais. A ação generosa e ética dos seres humanos não tinha valor, ameaçava o crédito salvador de Deus. Ainda hoje, em alguns segmentos da atual prática cristã essa compreensão, deslocada de seu contexto histórico, persiste como pano de fundo dos conteúdos da fé e como paradigma da missão.
Compreende-se, portanto, pela revelação da Palavra de Deus, que a participação humana na obra salvífica de Deus, através da partilha e da solidariedade, resgata uma das dimensões da justificação, da reconciliação de Deus com o ser humano, que o torna parceiro e sujeito no cuidado com a criação e com as criaturas, na construção da história com relações humanas justas e transformadas. Assim como os discípulos foram vocacionados para participarem da missão de Jesus (tornaram-se pescadores de vidas humanas), a missão de Deus hoje inclui os seres humanos dispostos a amar, a partilhar e a crer na vida.
Essa missão, feita de amor e de doação, vida partilhada em comunidade – Corpo de Cristo, liberta a miséria humana, o pecado da desigualdade, da injustiça, da indiferença e do rompimento com a comunhão com Deus. Essa missão questiona a injustiça estrutural, social e pessoal, a desigualdade, a destruição dos meios de vida. È profética. Denuncia as grandes estruturas e mecanismos da morte e anuncia a construção da vida, através da solidariedade e da partilha de bens e de dons, feitas de ações e de relações humanas quotidianas, comunitárias, familiares, simples, sensíveis e inclusiva. A Palavra de Deus revela que essa missão é como a menor das sementes, é como fermento, é um banquete, uma festa de vida inclusiva.
Essa missão é feita de grandes e de pequenos gestos, que inclui a nossa humanidade, nossos dons, possibilidades transformadoras e também a nossa fraqueza, os nossos limites. Para viabilizar a missão com a nossa participação, Jesus Cristo trouxe ao mundo os atributos do seu reino: o batismo, o perdão, a graça, a cura, a comunhão, a oração, a bênção, a paz, a liberdade, a possibilidade de nascer de novo, a inclusão das crianças, dos pequenos e dos que nada são. Os pecadores, as pecadoras, os fracos e os  pequenos agora participam. A viúva pobre participou com o que não tinha (Lc 21.1-4). Ao que pegou pouco nada faltou.
Através da doação e da partilha, do amor e da solidariedade, não somos somente o alvo da missão, da ação transformadora de Deus. Participamos dela, como vidas vocacionadas para interagirem com a revelação da graça de Deus, uma experiência singular, sagrada e libertadora.
Em meio à pluralidade religiosa, tocados pela diversidade e contradições das comunidades e igreja cristãs, entre tantas incertezas diante das diferentes doutrinas, da retórica e dos conteúdos da fé, diante das inúmeras práticas da espiritualidade, um paradigma é inquestionável: a doação com generosidade; a partilha de bens, de valores e de dons; a solidariedade.
A partir desta reflexão, concluímos que as doações em dinheiro, de bens e de dons, também a participação na comunidade de fé são missionárias.  A missão resulta da participação, de doações generosas, de dons, de trabalho e de dedicação de muitos. Elas transformam vidas. Revelam a graça e a misericórdia de Deus. Envolvem os próprios beneficiados pelas ações, na missão de transformar seres humanos, estruturas familiares e sociais; na missão de salvar vidas do ódio, do sofrimento, da injustiça, da fome, da violência e da morte.

Guilherme Lieven

24 de março de 2017

Os sinos dobram

São vários os sinais dos sinos. Passou a ser usado no século quarto para ajudar as aldeias e as comunidades cristãs com os seus sinais. É um instrumento de percussão, feito de bronze. O seu nome vem do latim e significa sinal. O maior sino de bronze se encontra na cidade de Moscou, capital da Rússia.
Os sinais dos sinos são litúrgicos. Sinais que ajudam as pessoas e comunidades a se sintonizarem com os serviços de Deus. Eles dobram para convidar para os cultos. Também, em algumas vilas e cidades, são usados para sinalizar as 6 horas da manhã e as 6 horas da tarde. Muitas comunidades da IECLB, ainda hoje, bate o sino no momento da oração do Pai Nosso durante a celebração da Santa Ceia. O som dos sinos é inconfundível, e nos lembra da presença e dádivas de Deus, consequentemente, dos nossos compromissos com a vida de fé em Jesus Cristo. “Louvai da Deus com címbalos sonoros; com címbalos retumbantes. ” (Sl 150.5)
Os sinos são mensageiros, usados também para anunciar outros ritos, tais como, a Bênção Matrimonial, falecimento de pessoas, celebrações especiais e alertas para perigos de ordem civil ou natural. Os sinos anunciam momentos alegres, feriados, tempo de paz, de tristeza, de despedidas e de solidariedade nos tempos difíceis. Eles fazem parte da nossa vida e da vida de muitas cidades no mundo.
Temos motivos para lamentar quando pessoas ou grupos de pessoas entram na justiça para silenciar os sinos dos templos cristãos. Desconhecem ou desligam-se das tradições sagradas dos povos e da religião cristã.
Lamentamos também quando os sinos, já instalados nos templos das nossas comunidades são abandonados, malcuidados, ou quando os que os tocam não são devidamente valorizados. Afinal, tocar o sino também é uma arte.

Damos graças por todas as pessoas e comunidades que, com gratidão, cuidam dos sinos e reconhecem os seus sinais sagrados.

15 de fevereiro de 2017

Romanos 8.12-25


Deus está entre nós e na Criação

IntroduçãoNum contexto de dúvidas e desconfianças sobre o poder e a salvação de Deus, que não se podem ver, os textos indicados para o 7º Domingo após Pentecostes, em destaque Romanos 8.12-25, presenteiam a revelação do Deus que nos adotam como filhos e filhas. Quando quase todas e todos experimentam uma certa “tonteira”, um vazio, a falta de clareza sobre a presença de Deus e da sua ação salvadora, chega uma mensagem de confiança e esperança no Deus único, o Princípio e o Fim, que revela o que há de vir e cumpre as suas promessas. Aquele Deus que, através do Espírito Santo, sustenta o viver na provisoriedade neste mundo, no limite da natureza humana, imperfeita.   Ainda não podemos ver a plenitude, a glória que virá. Conforme a Parábola do texto de Mateus 13, o “joio e o trigo” crescem juntos, e é preciso esperar com paciência a chegada da liberdade completa.
 O universo e a vida humana gemem, padecem. Em nossas cidades e comunidades convivemos com um vazio da fé, da esperança e do sentido maior da vida, a liberdade doada pelo Espírito Santo para participar na missão de Deus e na sua glória, plenitude de vida. Nesses contextos, ao mesmo tempo, subsiste a cultura religiosa desestabilizadora, despida de escatologia e da esperança na chegada da glória de Deus, a plenitude da vida que há de vir.

 Os textos do 7º Domingo após Pentecostes revelam a vontade de Deus de nos acompanhar e de nos cuidar, concedendo-nos dignidade para viver neste mundo com esperança. Essa mensagem é preciosa.

 Exegese:

O Apóstolo Paulo responde perguntas existenciais complexas e o seu fazer teológico edifica comunidades e aponta para o quérigma do evangelho. Denuncia o limite da natureza humana, o pecado. Posiciona-se sobre o limite da lei e anuncia a nova vida com o Espírito Santo e a doção de Deus, a ação salvadora realizada em Cristo na cruz e na ressurreição.

Com a carta aos romanos, Paulo se dirige às pessoas batizadas na cidade de Roma, tanto das comunidades judaicas como gregas. Os batizados, agora, estão com Deus, pela presença do Espírito Santo, através da obra salvadora realizada em Jesus Cristo. Não mais no seguimento a lei (baseada na aliança, no povo eleito) e na espera de uma intervenção messiânica de Deus. A lei foi substituída pela presença do Espírito Santo nas pessoas e pela adoção do Pai, tornando todas herdeiras da glória.

Para alguns exegetas, Romanos 8 é o centro da carta de Paulo, não por que ela foi estruturada em 16 capítulos, mas pelo seu conteúdo teológico. O texto, indicado para a mensagem, Rm 8.12-25 reúne os posicionamentos do apóstolo sobre a ação do Espírito Santo na vida das pessoas, superação da natureza humana, a consequente adoção de Deus; também a dimensão do Universo, a esperança e a gloriosa liberdade que virá, ou seja, a dimensão escatológica da ação salvadora de Deus.


23 de novembro de 2016

O abraço, o som e o perfume do Espírito Santo

O Espírito de Deus é quem dá a vida...
As palavras que eu lhes disse são espírito e vida. (Jo 6.63)

O Espírito de Deus é como remédio, gratuito e eficaz. Ele cura. Toma conta do corpo e da alma. E expulsa o demônio e o caos. Medicados com o Espírito de Deus alcançamos saúde, equilíbrio, entendimento, lucidez, bem-estar e a vontade de servir e amar.

O Espírito santo é como um abraço amigo e forte, fraterno e intenso. É como um abraço de reencontro e reconciliação. É um abraço que perdoa, que retira pesos e cargas, que devolve o fôlego e a liberdade.
O Espírito santificador é como um som gostoso de ouvir. Como um som que reúne e sinaliza, que desperta, chama e toca por dentro. Ele tem o poder de revelar a presença de Deus às pessoas, comunidades e povos sofridos, excluídos e oprimidos. Ele fortalece, toca e cria uma comunhão invisível entre todos os que creem e buscam transformação. Com aquela melodia frágil e suave chega para os fracos e desanimados, para os aflitos e os desamparados e, então, acalma, reúne, fortalece, consola e cria paz. É um som inaudível aos ouvidos de rancorosos e maus, para os ouvidos dos possuídos pelo “espírito da perseguição e violência”.
O Espírito de Cristo é um perfume que seduz e toca os nossos corpos mortais com o sabor da vida e da ressurreição. É perfume que afugenta o odor e o poder da morte. É perfume de amor que dá sentido à vida e cria um ambiente da ressurreição e da eternidade.

Jesus Cristo trouxe da parte de Deus vida para a vida humana condenada e rejeitada. Interferiu na história com o amor e a doação. E deixou no mundo e nas vidas humanas o Espírito Santo para ser alimento, carinho, abraço, afago, música e perfume. Eu sei, o Espírito de Deus é vida.

4 de agosto de 2016

Salvem as águas

Diariamente cuidamos de muitas coisas. Urgente precisamos incluir, entre elas, o cuidado e a preservação da água. Em todos os momentos temos contato com a água, um bem precioso, dádiva de Deus. Necessitamos da água para a higienização, para irrigação das plantas, limpeza da casa e de utensílios, no café da manhã, na preparação dos alimentos. Tomamos água várias vezes ao dia. Somos molhados pela chuva. Passamos ao lado dos córregos e rios. Usamos vasos sanitários e banheiros. A agricultura e a indústria dependem da água. Mesmo assim somos ainda relapsos e indiferentes diante da sua importância.

Você e eu precisamos fazer coisas simples e eficazes que economizam e preservam a água. Por exemplo: banhos rápidos, fechar a torneira durante a lavação das louças e usar somente no momento do enxague, fiscalizar as torneiras e vazamentos na rede interna e externa da distribuição da água, planejar e executar sistemas de captação da água da chuva. Reciclar resíduos químicos e tóxicos (pilhas, baterias, eletrônicos, remédios, agrotóxicos, óleo de cozinha) que contaminam o lençol freático, rios e lagos.

A fonte de vida do planeta está morrendo. A degradação e o desrespeito aos mananciais, aos rios, às fontes, aos lençóis freáticos e aos oceanos continuam. Devemos lembrar diariamente que a água e o planeta vivem sem nós, mas nós não vivemos sem a água e a terra. Onde há vida, há água, onde há água, há vida.

No Centro de Eventos Rodeio 12 desenvolvemos o Programa Ambiental Galo Verde. O cuidado com a água faz parte do programa. Pequenas e grandes coisas já foram feitas e, ainda, serão feitas.

Precisamos reagir e mudar o nosso comportamento. Podemos despertar o amor e o cuidado com a água. A vida na terra surge e acontece em torno da água. A primeira revelação do Espírito Santo, relatado na Bíblia (Gn 1.1) é a da ventania soprando sobre as águas. Da água surge a terra e a vida.

27 de fevereiro de 2016

Super heróis - Uma deficiência humana

Nascemos e crescemos cercados por super-heróis e super-heroínas. A TV, o cinema, livros e revistas em quadrinhos nos apresentam desde cedo esses fantasiosos personagens. Com a mesma força, os adeptos à cultura do poder, destacam ospersonagens heroicos da história real: governadores, presidentes, ditadores, exterminadores e exércitos.
Ainda hoje as crianças se apaixonam por super-heróis e heroínas visualizados nas TVs, revistas e brinquedos. Há super-heróis e Heroínas para as diferentes faixas etárias: Patrulha Canina, Homem Aranha, Supermann, Mulher-Maravilha, Mulher Invisível, Mulher-Gato, Anapanmann... Estão sempre combatendo inimigos. Nascemos e crescemos com os super-heróis e heroínas, pensando que estamos em guerra. Estamos sempre com medo, dependendo de forças mágicas para nos salvar de todos os perigos.
Fomos estimulados a transferir soluções dos problemas aos heróis e heroínas. Cremos que eles possuem poderes especiais. Podem até fazer o mal para vencerem batalhasNós facilmente nos anulamos. Não nos incluímos nas propostas e nas ações que visam a superação de crises sociais e tragédias, o mal e a morte. Involuntariamente elegemos nossos heróis e heroínas para vencerem todos os desafios da nossa vida, da nossa cidade, do país e do planeta.
Com essa cultura perigosa, uma espécie de deficiência humana, desprendemo-nos da realidade e elegemos inimigos, identificamos batalhas como se fôssemos espectadores. Transferimos para os heróis e heroínas nossos compromissos, comprometimentos e responsabilidades. E assim justificamos nossa omissão, indiferença e irresponsabilidade com as dádivas da vida, da Criação de Deus, com a justiça e a paz.
Essa deficiência afetou nossa vida de fé. Buscamos um deus mágico. Diminuímos o nosso Deus, o Pai e o Filho e o Espírito Santo, e sua ação salvadora às condições dos nossos fantasmas heróis e heroínas. Prova disso é que milhões de pessoas se identificam com novelas e filmes que transformam em heróis os personagens bíblicos José, Moisés, Davi. E a pregação fiel da Palavra em nossas comunidades não reúne grande público. Não pregamos heróis e heroínas e não fomentamos a magia e a escravidão.
A cura dessa deficiência está no seguimento a Jesus Cristo. Ele revelou que a salvação não vem dos heróis e das heroínas. A salvação e a liberdade passam por nós. Jesus nos incluiu. Revelou que precisamos nascer de novo e, em comunhão com Ele, construir comunhão e paz, amarservir, ser solidários e viver em comunidade. Nesse caminho de Jesus não há heróis e heroínas. Jesus, o caminho, perdeu. foi perseguido, desonrado, traído, condenado e assassinado. Ele não foi um herói, muito menos cabeludo, branco e de olhos azuis. Ele é o Salvador que deixou sinais da plenitude da vida, nos quais participamos. Fez isso a partir da nossa realidade humana, violenta, injusta e de morte. E Ele dizSe alguém quiser me seguir, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Mt 16.24

1 de dezembro de 2015

Somos luas


Lemos na 1ª Carta de João, 1.5 e seguintes:
“Deus é luz, e não há nele nenhuma escuridão. Portanto se dizemos que estamos unidos com Deus e ao mesmo tempo vivemos na escuridão, então estamos mentindo com palavras e ações.”

Proclamamos: Deus nos ilumina- Ele é verdade e vida. Abre os nossos olhos.

Ele nos abraça e nos guia em meio à escuridão. É a vela que não se apaga, luz eterna, luz do mundo!

Deus é graça, bondade plena.

Jesus Cristo é Salvação, a vida maior do que o pecado e a morte. Nele ha vida que se torna caminho, horizonte para nos despertar e nos encher de gratidão e esperança.

Ele é Espirito que ilumina corpo e alma, emoção e razão. Ele é Espírito Santo que santifica a nossa vida. Ele é Espírito Santo que Ilumina o nosso ser em meio à escuridão.

No Evangelho de João está escrito: (Jesus disse:) “Eu sou a luz do mundo; quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida”

Podemos também dizer: Jesus é o sol e nós somos a lua...

Não temos luz própria. É a luz de Cristo que brilha em nós e nos transforma em fontes de calor, de luz. Nós, com a luz que vem de Deus espelhamos a obra de Deus em nós e no mundo.

Somos vidas que buscam a luz, que dependem da luz de Deus para escapar da escuridão e ajudar a iluminar as pessoas e o mundo.

Quando recebemos a luz de Deus, ganhamos o dom e a vocação para ajudar aos outros a tornarem-se luas de Deus e a encontrarem o mesmo caminho.

A luz de Cristo, a luz de Deus, retira de nós a escuridão.

O profeta Amós, antes do tempo de Jesus Cristo, alertou o povo: Para que tenham vida, “Procurem fazer o que é certo e não o que é errado... Odeiem aquilo que é mau e amem aquilo que é bom...

COMO SABER O QUE É BOM E O QUE É MAU? O que é escuridão e qual é a luz do mundo e da vida?

Sozinhos, não enxergamos bem, não fazemos o bem, não temos critérios suficientes para discernir entre o bem e o mau. Precisamos ser guiados, ajudados, cuidados, conduzidos...



No mundo e entre nós há um mercado, compra-se e vende-se luzes e de guias. Querem fazer de nós estrelas, e nos prometem  prosperidade e salvação...

Mas. a verdadeira luz vem de Deus. É essa luz que nos ajuda a andar no caminho em que se faz o BEM. Abre os nossos olhos, segura a nossa mão, foca o caminho e nos ajuda a escolher a comunhão com Deus, Aquele que nos sustenta nesse mundo.


8 de novembro de 2015

O Compromisso com Adolescentes e Jovens


Aprendi a olhar com atenção e respeito à história de cuidados e amor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil com as crianças, adolescentes e jovens. Ela herdou ações que promoveram a educação contínua em suas comunidades eclesiásticas e, ao mesmo tempo, construiu escolas e comprometeu-se com a educação pública.

Herdou da Reforma do século XVI, em especial de Martim Lutero, a compreensão de que cabe à igreja formar bons cristãos, e exigir das autoridades públicas o serviço da educação para todas as pessoas. Os primeiros luteranos e luteranas, que chegaram da Europa ao Brasil, trouxeram consigo essa visão, e logo se preocuparam com a educação das crianças, adolescentes e jovens. No início, antes de construírem templos, através de ações e esforços comunitários próprios, edificaram espaços para a educação dos seus filhos e filhas.

Hoje são visíveis as iniciativas e ações de apoio, construção de espaços, projetos pedagógicos e elaboração de material na área da educação cristã. Cita-se, ainda, o apoio a rede sinodal de educação, que acompanha e participa da gestão de dezenas de escolas.  E em suas comunidades eclesiásticas criaram instituições de ação social, envolvidas na educação popular e nas ações diaconais transformadora. Associada a estas iniciativas soma-se, também, a formação de catequistas, diáconos e lideranças comunitárias que atuam com protagonismo na área da educação pública em municípios e estados.

2 Timóteo 13.14-4.5 - Pregar o Evangelho em meio à crise


Introdução

O texto 2 Timóteo 3.14-4.5 permite uma valorosa mensagem para  as comunidades cristãs. Já no início, no tempo dos primeiros passos das comunidades cristãs rumo a uma melhor estruturação da Igreja de Jesus Cristo, com sua dimensão eclesiástica, fez-se necessário perseverança, fidelidade e dedicação na divulgação do evangelho. Também o discernimento entre o que ameaça e o que fortalece a comunidade.  Em nosso tempo a mesma mensagem nos convida para o compromisso e fidelidade na proclamação do evangelho e da ação salvífica de Jesus Cristo.


Exegese

Os cristãos de Éfeso enfrentavam dificuldades. Conforme a carta a Timóteo, conviviam com falsas doutrinas, falsos ensinos sobre a ressurreição (2.18), fábulas e mitos.  E nessa situação Timóteo é chamado e incentivado a pregar em meio à crise, a ser persistente, fiel, justo, qualificado para toda a obra, em especial para proclamar o evangelho a partir da sua fé em Jesus Cristo.

Timóteo nasceu em Listra, na província da Galácia ou Gália da Ásia. Seu pai era grego e sua mãe judia, que se tornou cristã. Quando Paulo o encontrou, já era um discípulo dos apóstolos. Conhecia as escrituras, os decretos dos apóstolos (At 16.4). Estudou sob a orientação da sua avó Lóide e sua mãe Eunice (2 Tm 1.5) e de Paulo aprendeu do evangelho. Timóteo participou das viagens missionárias de Paulo e da formação e fortalecimento das primeiras comunidades cristãs. Foi um líder cristão, reconhecido em sua época. Certamente foi o primeiro bispo de Éfeso.

Um jovem, líder da igreja, que recebeu a missão de pregar e ensinar em uma comunidade em conflito.

V. 3. 14: Timóteo é chamado para retomar os fundamentos do seu aprendizado, que teve origem anterior à crise instalada. “Permanecer firme no que aprendeu”. O “de quem”, na Vulgata aprece a variação “de que mestres”. E, certamente, se refere a sua avó, sua mãe e Paulo.

V. 3.15: As sagradas “Letras”, são os livros dos profetas e outros da tradição judaica. Também é traduzida por “Escrituras” sagradas. Desde criança Timóteo conheceu os livros sagrados da tradição judaica. O conhecimento de Timóteo das “Letras” sagradas, com a fé em Jesus Cristo, lhe conferiu a sabedoria para comunicar a palavra que tem o poder da salvação.

Desafios da Igreja nas Metrópoles brasileiras

Entre os desafios das Igrejas na metrópole, em especial, das comunidades da nossa IECLB escolho o teológico: Onde está a Cruz de Cristo nas ...