29 de dezembro de 2025

Desafios da Igreja nas Metrópoles brasileiras

Entre os desafios das Igrejas na metrópole, em especial, das comunidades da nossa IECLB escolho o teológico: Onde está a Cruz de Cristo nas Cidades? Onde estão os sinais da ressurreição?

Esse assunto é prioridade para os cristãos da cidade. Quem tem olhos só para ver milagres, prosperidade, vitória, prazer, sucesso, não tem olhos para enxergar que Deus se revela no Crucificado.  Martim Lutero afirmou que o conhecimento verdadeiro de Deus passa pelo Jesus crucificado. Deus revela o rosto da graça e do amor. Quem enxerga a Cruz de Cristo estampada  na realidade urbana vê sinais da ressurreição, conhece a paz do Cristo de Deus. 

Esse desafio teológico passa pela necessidade da contextualização da teologia, do falar de Deus, da constante tentativa de dar linguagem e voz à sua revelação, em espaços urbanos, com as pessoas da cidade. Na aparente ausência de Deus está a presença de Deus.  As pessoas estão sempre em busca de felicidade, justiça e pão; também querem libertação da morte. Elas se movimentam em direção a Deus. Buscam a superação das suas fraquezas e necessidades. Os seus olhares, no entanto, direcionam-se ao sucesso, à prosperidade, à magia e ao poder e, assim, permanecem cada vez mais longe de Deus. Já a busca por comunhão com Deus e com as pessoas da cidade, que  passa  pela realidade da cruz, pelo aparente abandono de Deus,as levam à cura e à felicidade com dignidade. Por isso cremos que também as Metrópoles abrigam a contínua presença salvadora de Deus, através do Cristo da Cruz e da ressurreição.

O enfrentamento a esse desafio teológico conduz as Igrejas e as Comunidades ao diálogo e a interação com o seu contexto urbano, onde está estampada a Cruz de Cristo. Ali, pela graça e ação do Espírito Santo, através da Diaconia e da missão, as pessoas e as comunidades podem conviver com os sinais do reino de Deus e olhar com liberdade para os sinais transformadores da ressurreição.


20 de dezembro de 2025

Lucas 9. 28-36 (três tendas no monte da transfiguração) Marcos 10.35ss (pedido para sentar um ao lado Direito e outro ao lado esquerdo A comunhão cria solidariedade, espaço de vida, sinal da graça, fragmentos da vida plena, antecipação da graça de Deus. Espaços de comunhão, experiências de comunhão são revelações de resistência à idolatria e às forças da morte. Na correria, no dia-a-dia fugimos da cruz. Queremos curar a nós mesmos e construir tendas, flutuar da realidade... Nosso desafio, nosso testemunho, nossa resposta ao amor de Deus cria comunhão ente os que vivem na situação de Cruz, a dor, a perda, a exclusão, a solidão... Não conseguimos experimentar a ressurreição sem assumir a cruz, sem a consciência do pecado e da realidade sem paz, sem pão, sem fé, sem esperança, sem Deus Criar comunhão, espaço de comunhão para as vítimas do pecado , da violência, dos poderes da morte. Em comunhão com Cristo encontram resistência, fortalecimento, consolo, renascimento. O lema do tema do ano, dá-nos o pão nosso de cada dia, pressupõe a realidade sem pão, sem vida – nessa realidade clamamos pelo pão. Reconhecemos a cruz e clamamos por salvação, clamamos comunhão com Deus, clamamos por espaços de vida na realidade de cruz – negamos o mundo virtual, ideal, a fantasia. Com fé, na realidade da cruz clamamos por comunhão, queremos ver o olhar de Deus, a presença de Cristo. Em nosso mundo sem espaço de comunhão, sem a presença do Deus da vida impera a cruz, não há ressurreição

29 de agosto de 2025

Romanos 5.1-11

Somos vidas resgatadas por Deus em Jesus Cristo. Deus nos reconciliou com Ele. Somos vidas amadas por Deus. Somos filhos e filhas Dele, herdeiros da sua misericórdia e graça, herdeiros da salvação. Não morremos, com Cristo vivemos. Para Deus somos vidas especiais. A sua salvação nos incluiu em seu reino, mesmo pecadoras e pecadores. Esse ato milagroso e grandioso anunciamos e por causa deles servimos comunidades de filhas e filhos de Deus que nesse mundo participam da revelação e da missão de Deus. Isso é motivo de alegria, de louvor e glória a Deus, Isso cria em nós, pela fé, a vontade de cantar, a vontade de viver, de servir e amar. Essa ação de Deus cria em nós esperança, coragem, dignidade e confiança. Por isso estão adoecidas as pessoas que hoje avaliam e julgam uns aos outros, as outras pessoas pela sua opinião. O palestrante é avaliado pela sua palestra ou opinião. Quem escreveu um livro é o livro... Os participantes das redes sociais são julgados pelas frases e figuras que publicam. Tal como no futebol, o jogador é igual a um ou cinco gols, um time é a derrota ou a vitória. A pessoa humana vale o que fala e o que comentam sobre ela. A opinião do indivíduo o define. Como se fosse verdadeira a ideia de que somos aquilo que comemos, talvez estão comunicando que as nossas doenças originam-se daquilo que comemos e bebemos, mas somos mais do que as doenças, mais do que a comida e a bebida que ingerimos. As pessoas perderam a sua história, a sua identidade, a sua dignidade. Nada vale: o seu batismo, a sua adoção por Deus, o seu corpo – casa do Espírito Santo, sua infância, sua vida, sua mãe, seu pai, irmãos, irmãs, primos e amigos, sua adolescência, os conteúdos da sua fé, seus dons, vocação, carismas. Nada da sua juventude teve sentido, se foi padrinho ou madrinha, se amou e confiou a sua vida a Deus, nada importa. A pessoa humana resumiu-se ao que ela fala e publica. Se ela está doente ela é a doença, se ela trabalha ela é o trabalho... Se tem funções ministeriais na igreja ela é a igreja... Que horror, que terror!!! Conforme a Palavra de Deus, cada um de nós recebeu o Espírito de Deus. A nossa vida é maior do que nós mesmos, e muito maior do que as nossas opiniões. Deus nos chama para a reconciliação que passa pela comunhão com Ele e que cria comunhão uns com os outros, que inclui diálogo, respeito, amor, dedicação a dignidade das pessoas humanas. Essas vidas são sacerdócio geral, elas creem, chamadas e vocacionadas para o testemunho, para praticarem a fé e edificarem comunidades de Jesus cristo no mundo. Se as pessoas estão quebradas, esvaziadas, adoecidas estão fora da comunhão com Deus, não conhecem a salvação que Deus concedeu a elas, não conhecem o milagre do nascer de novo, não conhecem o evangelho. E a nossa vocação é a de proclamar o evangelho até o fim. Confundir a pessoa com a sua opinião é um caminho desastroso. Que o Espírito de Deus abra os nossos olhos e mentes e nos preparem sempre para proclamar o seu amor e salvação, o Deus da vida que conhece nossa história, nosso corpo e espírito, tudo que somos, de onde viemos e para onde iremos, sob o seu cuidado e poder. Paz e graça da parte de nosso bom Deus, que em Cristo nos adotou e nos reconciliou com a vida eterna. Amém.

23 de abril de 2025

Pedaços coloridos do rosto de Deus

Pedaços coloridos do rosto de Deus As comunidades com suas atividades, cultos, grupos, atividades de formação e organização formam traços do rosto da missão e da diaconia de Deus. Compõem o mosaico da presença e da ação de Deus no mundo. O Sínodo e a igreja apoiam, fortalecem e criam unidade. Por graça, misericórdia e amor Deus conduz, orienta e desperta, firma os pés, os joelhos, as mãos, santifica e mostra o caminho. A palavra de Deus se faz visível. Isso acontece também nesse tempo difícil em que vivemos. Ainda podemos proclamar a palavra de Deus e seguir a Jesus Cristo. Mesmo sendo perseguidos, julgados e atacados. Há em nosso país pessoas e grupos organizados que exigem que a igreja, as comunidades, paróquias, lideranças, ministros e ministras tenham o rosto deles, das ideias deles e formem a imagem do julgamento, da condenação, da negação à ação salvadora de Jesus Cristo, a revelação da paz e do amor de Deus. Em seu tempo histórico Jesus viveu em uma realidade semelhante. Deparou-se, ouviu e falou com pessoas e grupos que já sabiam o que é certo e errado e o "lugar de Deus”. Nesse tempo ele curou, acolheu, ensinou, foi pão, água viva, revelou o caminho, doou a vida e foi fiel ao Pai. Ele trouxe a paz e chamou todas e todos para firmarem compromisso com o amor. Amar uns aos outros e a Deus. Hoje, em nosso tempo, Jesus está presente e conhece os que atacam e apedrejam a sua igreja. Com graça e amor ouve e fala. Acolhe e transforma. Chama pessoas, grupos e comunidades, o sínodo e a igreja para participarem da sua missão de amar e transformar a realidade de ódio e de morte. Ele permite que sejamos traços, pedaços coloridos, do seu rosto visível entre nós.

20 de abril de 2025

Vamos falar de igreja

Quem é a Igreja? Neste final de outubro muitas atividades e o tema da Reforma marcam a nossa agenda. Um tempo para refletir sobre Igreja. Precisamos perguntar em qual dimensão ministros e ministras, ordenados para o ministério eclesiástico são igreja. Quando estão reunidos com a comunidade, na comunhão dos santos pela ação do Espírito Santo? E nas vezes em que atuam como líderes, assessoras, coordenadores, ouvintes e mediadores de diálogos, também ali são igreja? É complexa a conjugação da dimensão da comunhão dos santos, da comunidade-igreja com a dimensão da ação e vivencia individual da fé por todas as pessoas batizadas e/ou ordenadas para tarefas e missão da igreja. Com facilidade desviamos dos limites destas duas dimensões e responsabilizamos somente uma delas pelos desvios e pecados. Ainda outro aspecto: Poderia a igreja ser somente doutrina e conteúdos de fé? Sabemos que não. Essas grandezas racionais e reveladas, que resultam do movimento da prática da fé, fermentada pela pregação do evangelho e pela participação nos sacramentos não são pessoas, vidas, filhas ou filhos de Deus. O Espírito Santo na comunhão dos santos (conforme Martim Lutero, catecismo menor) chama pessoas pelo Evangelho, ilumina os dons, santifica e conserva a verdadeira fé, na dimensão individual e comunitária. Até onde vai a responsabilidade somente de lideranças, ordenadas ou não, pela contínua reforma, ou pelo impedimento desse processo libertador? Como identificamos o chamado e a preparação de protagonistas para anunciar a presença da justiça salvadora de Deus no mundo. Seriam eles as comunidades com as pessoas ordenadas para o ministério? Ou somente pessoas da Igreja de Jesus Cristo chamadas para tarefas extraordinárias? Essa reflexão exige considerar que não podemos transportar o movimento da reforma do século XVI para os dias de hoje. O Império Romano, a Igreja Romana, o Imperador, o Papa, as universidades, os conteúdos religiosos, o analfabetismo, a Bíblia em latim, os Príncipes, os camponeses, os templos e palácios, as superstições e indulgências… Se não, quais os critérios hermenêuticos que podemos usar para atualizar essa ação, agora histórica, de Deus no movimento da reforma? A nossa tarefa de sistematizar e identificar, nos dias de hoje, o inimigo, ou os inimigos do evangelho de Jesus cristo não alcança consenso ou legitimidade fácil (O “diábolos" vencido por Cristo parece ainda gemer e espernear.)… Mesmo com essa dificuldade, não podemos fugir do desafio de vigiar, orar e denunciar a idolatria e o pecado constante de atacar o evangelho, como se pudesse ele ser somente uma opinião ou sabedoria humana. No inconsciente dos ocidentais apresenta-se ainda outra alternativa para resolver esse complexo impasse de transferir essa árdua tarefa: a escolha de heróis. Desde criança ouvimos as história, hoje magníficos vídeos, filmes e games, dos heróis humanos que salvam, resgatam, matam o inimigo com magia e poder. Somos traídos por uma expectativa desastrosa que remete para os heróis as tarefas de participar na transformação de realidades mortíferas do nosso mundo. Lembro da canção do meu tempo de pastor da juventude que denunciava a mesma expectativa em relação a Jesus, o Filho de Deus:”Eles queriam um grande rei, que fosse forte e dominador…” O Verbo sempre foi aviltado. E o Verbo que se tornou carne recebeu o mesmo ataque. O Deus da graça, da justiça pela fé, da paz, da cruz e da ressurreição continua sendo negado, ou maquiado e apresentado como objeto de mercado. Todas as pessoas que exercem o ministério eclesiásticos com todas as pessoas batizadas são filhas e filhos de Deus, inseridas na dinamicidade da vivência da fé, resgatadas pela justiça amorosa de Deus e conduzidas pelo Espírito Santo são igreja. Em meio aos perigos, tentações, provocações, atentados a dignidade são pessoas amadas, chamado para proclamar a notícia do Cristo de Deus, a paz, o amor diaconia, o Deus da cruz que nos inclui na sua ressurreição. Precisamos de paciência e de sem medos confiar no caminho em que Deus, o Cristo e o Espírito Santo é o guia, o conteúdo, o protagonista da constante reforma e transformação, ação salvadora que nos inclui, que permite nossa completa participação nas ações de Deus em nossas vidas, na vida de todas as pessoas das comunidades e no mundo. E para motivar a constante reflexão sobre igreja afirmo ainda, conteúdos e verdades não são igreja. Instituições não são igreja. Grupos e pessoas que se intitulam defensores de verdades, de conteúdos, de ações históricas não são igreja. A Igreja, pela graça de Deus, ação salvadora de Jesus Cristo e do Espírito Santo é a comunhão dos santos, as comunidades - igreja de Jesus Cristo, onde a presença real de Cristo é proclamada e vivida, pela fé, por todas a pessoas batizadas, membros, lideranças, ministras e ministros com ordenação.

15 de agosto de 2024

Gálatas 5.25-6.10 - Plantar e colher o bem

Gálatas 5.25-6.10 Conforme João 6.68, Pedro diz a Jesus que Ele tem a palavra da vida eterna. Não tem outro a ser seguido. Pedro pergunta a Jesus: Para quem iremos? O apóstolo Paulo na carta aos Gálatas escreve sobre esse mesmo tema de forma diferente. O apóstolo Paulo escreve sobre o Espírito de Jesus. Não há outro a seguir, senão aquele que tem o Espírito de Deus. Vamos ouvir e refletir sobre o texto, Gálatas 5.25 a 6.10: “Que o Espírito de Deus, que nos deu a vida, controle também a nossa vida! Nós não devemos ser orgulhosos, nem provocar ninguém, nem ter inveja uns dos outros. Meus irmãos, se alguém for apanhado em alguma falta, vocês que são espirituais devem ajudar essa pessoa a se corrigir. Mas façam isso com humildade e tenham cuidado para que vocês não sejam tentados também. Ajudem uns aos outros e assim vocês estarão obedecendo à lei de Cristo. A pessoa que pensa que é importante, quando, de fato, não é, está enganando a si mesma. Que cada pessoa examine o seu próprio modo de agir! Se ele for bom, então a pessoa pode se orgulhar do que fez, sem precisar comparar o seu modo de agir com o dos outros. Porque cada pessoa deve carregar a sua própria carga. A pessoa que está aprendendo o evangelho de Cristo deve repartir todas as suas coisas boas com quem a estiver ensinando. Não se enganem: ninguém zomba de Deus. O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá. Se plantar no terreno da sua natureza humana, desse terreno colherá a morte. Porém, se plantar no terreno do Espírito de Deus, desse terreno colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem. Pois, se não desanimarmos, chegará o tempo certo em que faremos a colheita. Portanto, sempre que pudermos, devemos fazer o bem a todos, especialmente aos que fazem parte da nossa família na fé.” O apóstolo Paulo propõe aos membros da Comunidade em Gálatas escolherem o evangelho de Jesus Cristo para viverem. O evangelho de Jesus constrói a comunhão com o Espírito de Deus, que transforma e dá a vida. Essa escolha produz frutos bons, motiva fazer o bem, a amar, a ser acolhedor e solidário. O evangelho e o Espírito de Deus tornam-nos livres das tentações da morte, fazem-nos imagens de Deus no mundo, enobrecem nossas ações, nossa vida. Com o espírito de Deus não conseguimos odiar, amaldiçoar, julgar, condenar, dar falso testemunho, roubar e matar. A palavra de Deus em Gálatas fala em plantar e colher. Se plantamos no jardim da natureza humana colhemos a morte. Se plantamos no terreno do Espírito de Deus colhemos o bem, a vida, a justiça, a paz a eternidade. Viver o evangelho em comunhão com o Espírito de Deus cultivamos jardins de acolhimento e solidariedade, de esperança e bênçãos, cultivamos a herança da eternidade. Somos chamados a não nos afastarmos do Espírito de Jesus, o Espírito de Deus. Não nos cansarmos de fazer o bem. Pois, se não desanimarmos, chegará o tempo certo em que faremos a colheita. Como estão os nossos jardins plantados no terreno do Espírito de Deus, os jardins do acolhimento e solidariedade, frutos do evangelho de Jesus? O mundo ainda vive pela graça de Deus. Estão presentes no mundo forças humanas de solidariedade e de acolhimento. Há milhares de comunidades de Jesus Cristo no mundo. Milhares de pessoas são ajudadas, amadas, acolhidas, orientadas, curadas, amparadas, guiadas. Milhões de crianças nascem e crescem sob o cuidado humano. Milhões de jovens recebem formação e capacitação para trabalhar e servir. Homens e mulheres vivem ainda parcerias matrimoniais, se ajudam, amam e cultivam o espírito da vida. Milhões de idosos são ouvidos, amparados e abrigados. Há solidariedade e acolhimento aqui em todos os lugares no mundo. Deus está presente e temos motivos para louvá-lo. Mas, ao mesmo tempo, milhões estão peregrinando no mundo, estão migrando fugindo do ódio, das guerras, da fome, da falta de emprego. Buscam sustentabilidade para a vida. Aqui e no mundo há governos que pregam o ódio e promovem a morte, a guerra, alimentam-se do conflito e da perdição da natureza humana. O espírito humano pecador também está presente em todos os lugares. Ali está o cultivo das ervas daninhas que promove a destruição dos recursos ambientais, que festeja a cultura do desperdício, da exploração e da injustiça. Cultivam a violência, o abandono, o sofrimento e o descompromisso com a vida. Essa lavoura do mal contamina e ameaça a Criação de Deus e a humanidade. Há uma multidão de pessoas dominadas pelo espírito da natureza humana vazios do Espírito de Deus e da prática do evangelho de Jesus. Vivem para si mesmas. Há cidades que não acolhem os migrantes, os sem teto, os desempregados, desamparados e solitários. Há países e povos arruinados. Na verdade, estamos em perigo. A vida no mundo está ameaçada. Por isso, o nosso maior tesouro é o evangelho de Jesus. Vale o evangelho! Vale o chamado para semear no jardim do Espírito de Deus! Vale a misericórdia, que através da presença do espírito de Deus em nós e no mundo insiste em nos chamar para a vida. Produzir e colher solidariedade e acolhimento, amor sem fim, perdão e salvação. Clamamos a Deus para fortalecer nossa opção em viver com o seu Espírito. Que nossas ações de fazer o bem, de plantar no jardim que dá frutos de solidariedade e acolhimento sejam sustentados e abençoadas.

21 de outubro de 2022

Liberdade

A definição de liberdade aguça debates, críticas e opiniões. A poetisa Cecília Meireles destacou: “'Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda!” (Romanceiro da Inconfidência). A palavra liberdade é também usada para autorizar ações de ódio, de destruição e de acepção de pessoas. O debate sobre liberdade é constante e polêmico. Já em 1520, Martim Lutero ensinou sobre a liberdade cristã. Afirmou: "um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém - pela fé. O cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo amor" (Livro: Da Liberdade Cristã). Jesus, nosso salvador anunciou: “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (João 8.32). A vida livre é uma dádiva de Deus. Pela fé, somos livres. A fé nos leva a amar e a conhecer a verdade de Deus que nos liberta da morte e dos poderes que geram morte. Conforme Martim Lutero, a única força que pode nos escravizar é o amor. A vida livre, escrava do amor, criada por Deus em Jesus Cristo, é a condição primária e singular que remete o ser humano a resistir contra os poderes da escravidão e a construir espaços de dignidade, justiça, igualdade e paz, onde a liberdade é visível e real. Nesse tempo de debate político, de julgamentos e violências, em uma sociedade dividida, a verdade e a liberdade cristãs são luz. Nesse tempo perigoso, apesar dos nossos limites é possível anunciar a verdade da vida. Viver e criar liberdade, gerar gestos e ações de amor. Concretizar o sonho humano de liberdade.

Eleições 2022

Chegou o dia de exercermos o nosso direito de votar. Venho pedir que você ore, vote e ore. Antes de votar, logo de manhã, peça a Deus para te conceder e dar ao povo brasileiro um dia abençoado, de paz. Peça a Deus para te dar o Espírito de Jesus, e assumir o voto com sabedoria, discernimento e fidelidade ao evangelho. Você votará 5 vezes: deputado estadual, governador do estado, deputado federal, senador e presidente da república. Comparo o seu e o meu voto como sementes, que conforme a nossa escolha, poderão cair do terreno da natureza humana e, nesse caso, produzirão frutos do mal, ou essas sementes poderão cair no terreno do Espírito de Deus, e ao ser guiado por Ele produzirão frutos do bem, da solidariedade, da dignidade, frutos de vida. Semeie os seus votos, no terreno que as transformarão em um grande jardim de esperança, de vida abençoada por Deus. Falo isso inspirado pelo texto bíblico do livro de Gálatas 6. 7-10 – Leia e medite sobre essa palavra, ainda antes das eleições. Você e eu conhecemos os mandamentos de Deus: não cobiçar, não dar falso testemunho, ou fabricar notícias falsas, não adulterar, roubar, matar, desrespeitar, desonrar, não tomar o nome de Deus em vão, cuspir no nome do Senhor Jesus Cristo com palavras e ações e, o principal mandamento, amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo com a si mesmo. Conhecemos a Bíblia, a Palavra de Deus, o evangelho de Jesus Cristo. Não temos motivos para jogar fora, no espinheiro, os nossos votos, as nossas sementes. Nessas eleições deixe o Espírito de Deus te guiar. E após a sua participação nas eleições volte a orar a Deus e agradecê-lo pela dádiva de semear vida em nosso país e em nosso estado. Abençoe-te o Deus da graça e do amor. Amém.

Vivos e livres

Vivos e livres! Tempo difícil. Poucos temem a Deus. Muitos não têm medo do mal e dele não se afastam (Jó 28.28). Nesse tempo confuso precisamos evitar que a luz que Deus nos deu se transforme em trevas (Lc 11.35) Em nossas comunidades em outubro reencontramos novamente com o tempo da reforma. Celebrar é preciso para não perdermos os valores e os tesouros, herdados da Reforma da igreja. Já em novembro chega para nós o tema da morte e da ressurreição. Dádivas salvadoras de Deus que nos sustentam nesse tempo difícil e confuso para nos encontrarmos com a liberdade e a vida. As dádivas de Deus que nos iluminam e nos impulsionam. E, pela fé, fazem-nos apaixonar pela vida, doada e revelada em Jesus Cristo. Tudo que está nas Escrituras foi escrito para nos ensinar, a fim de que tenhamos esperança por meio da paciência e da coragem que as escrituras dão. (Romanos 15.4) Tempo de construir esperança em meio as trevas. A esperança abre os nossos olhos e nos conduz. Afasta-nos do mal, das marcas do pecado e ilumina nosso caminho. A esperança cria a coragem de ver no outro e na vida comunitária uma possibilidade de comunhão, uma oportunidade de viver a fé em Deus. A coragem e a luz que procedem de Deus têm o poder de iluminar nossas vidas, casas, comunidade e pedacinhos das nossas cidades. Sem a luz de Jesus Cristo os poderes que gostam das trevas e do mal chegam devagarinho e tomam morada. Invadem nossas vidas, a comunidade, a igreja e a cidade. Temer a Deus, afastar-se do mal, firmar-se na luz de Cristo com coragem, viver em comunhão, nos faz livres e vivos.

2 de março de 2022

Estamos prontos para o novo?

Há sinais de graça e de paz. O poder de morte da pandemia está se definhando. Certamente chegarão dias melhores, dias de graça e de fé no novo que virá e, em fragmentos, já está presente. Estamos no tempo de advento da pós pandemia, em gestação, grávido de novidades. Precisamos primeiro olhar com atenção e cuidado, para o que já acontece entre nós. Antes de reunir muitas ideias e correr o risco de flutuar da realidade e do contexto em que vivemos, ou arriscar opiniões e diagnósticos infundados sobre o que vem por aí. Vamos olhar com curiosidade e amor para as atividades das comunidades, dos grupos, das lideranças, dos membros. Qual o nível da nossa fidelidade e compromisso com a vida comunitária de fé, com nossas ações de amor, com a nossa participação na missão de Deus? Percebemos que vamos estar bem com o novo que virá se promovemos o melhor em tudo o que já está vivo, que está em movimento em nossa vida comunitária de fé. Mas precisamos também reconhecer o pecado de posturas e ações que apressadamente condenam ou negam o presente, sem aprender do que está em curso, que está acontecendo. Não edifica a comparação viciosa daquilo que agora acontece com o passado, com o que escolhemos lembrar do passado. O retorno ao passado compromete o futuro. Jesus ensinou em Lucas 9. 62: “Quem começa arar a terra e olha para trás não serve para o Reino de Deus”. Essa palavra de Jesus fala para nós e nos fortalece. Ter atenção e foco no que está à nossa frente. Se olharmos para trás perdemos o foco e não conseguimos servir ao novo que virá. Ao passado devemos gratidão. E o futuro exige nossa dedicação. A Igreja de Jesus Cristo, sua dinâmica e poder transformador é um movimento vivo. Ao passado cabe ações de graças, gratidão. Ao novo faz-se necessário desenvolver a capacidade de ver e ouvir, a coragem de envolver-se com o desconhecido, com o frágil, com o que extraordinariamente procede das mãos de Deus. Rumo ao novo, mesmo que em parte desconhecido, faz bem conceber que há um nível de fragilidade presente nesse caminho. Essa percepção leva à necessidade de cultivar o fortalecimento da fé, da evangelização, do envolvimento em ações de amor. Recebemos essa força quando construímos comunhão, praticamos o evangelho e nos motivamos para caminhar juntos, em comunidade. Sabemos que a construção de comunhão e a movimentação conjunta exigem preparação, atualização e motivação de todas e todos: membros, cada pessoa batizada, lideranças, presbíteros, presbíteras, coordenadores e coordenadoras, ministros e ministras. Oramos a Deus: Vem com o seu Santo Espírito e desperte todas e todos nós para o novo, para o que vem. Dá-nos a vida, dá-nos liberdade, dá-nos a salvação.

24 de fevereiro de 2022

Abandonaram Jesus

No passado e nos tempos de hoje perguntamos: Para onde iremos? Para quem iremos? Essas dúvidas surgem de um enorme vazio: falta amor, diálogo, comunhão, pão, dinheiro, justiça, solidariedade, partilha, alegria, gratidão. O que vai acontecer? Onde ancorar o nosso barco? Em qual fundamento construir a nossa vida?
O Evangelho de João (6.7-8) narra uma crise. Em certo momento muitos que seguiam Jesus o abandonaram. Então Jesus perguntou aos seus discípulos mais próximos: Vocês também querem ir embora? Simão Pedro responde: Quem é que vamos seguir? O Senhor tem as palavras que dão vida eterna. Na crise daquele tempo, Pedro e os demais discípulos optaram em seguir ao Deus que veio ao mundo iluminar a escuridão, fundamento permanente, eterno, a vida que permanece – o Cristo de Deus – a presença salvadora de Deus na vida e no mundo.
Hoje acontece um esvaziamento dos fundamentos e valores da vida. Cada um passou a ser o centro e o juiz de tudo e de todos. Abandonaram Jesus Cristo. Outros fizeram pior: Criaram um Jesus semelhante ao cachorrinho de estimação, e o domesticaram. Fazem discursos, espetáculos e passeatas, para dar voz e cultivar a imagem do cachorrinho que “adoram”.
Porém, nós temos a opção de Pedro e dos discípulos. Dizer a Jesus Cristo: O Senhor tem as palavras da vida eterna, o caminho, a verdade e a vida. Tu és o fundamento. Vamos te seguir. Fazer o bem. Amar de fato e de verdade. Viver em comunidade. Anunciar o evangelho. Construir esperança, sustentar espaços que abrigam ações de diaconia e de paz.

Meditação Lucas 6.27-38

Lucas 6.27-38
Destaco nessa meditação: O amor ao inimigo e O chamado para sermos misericordiosos tal como o é nosso Pai. O mandamento do amor ao inimigo atualiza a lei do povo de Deus que exigia amar o próximo, os compatriotas, e os estrangeiros que viviam em suas terras. (Lv 19.18). Também a ética do Olho por olho e dente por dente (Lv 24.19s) é atualizada. Conforme relato no evangelho de Lucas conhecemos o mandamento do amor ao inimigo anunciado por Jesus. Jesus atualiza o mandamento. Amar o inimigo é não imitar o inimigo, não fazer tal como ele faz – Como está escrito em 1 Tessalonicense 5 : não retribui o mal com o mal, mas fazer o bem. Lucas escreve para grupos e comunidades formados por pessoas da cultura grega, chamados de gentílicos. Muitos eram os inimigos dos cristãos. O texto nos permite uma lista de inimigos daquela época: Os que odiavam, que amaldiçoavam, que maltratavam, os que batiam no rosto – desrespeitavam, que roubavam a roupa – a capa – do outro, os que tiravam os bens, recebiam empréstimos e não devolviam, os que julgavam e condenavam. Certamente os grupos e comunidades cristãs eram perseguidos, humilhados e desconsiderados. Em todo o texto está presente o chamado para fazer a diferença. A comunidade de Jesus Cristo é chamada para vencer o mal com a misericórdia, com o amor. O texto fecha com a admoestação para amar, perdoar, emprestar, não julgar, doar a roupa toda – se preciso – Fazer ao outro, à outra, a mesma coisa que gostaria que elas fizessem por você. Ser misericordioso assim como é o Pai. Essa é a diferença: Ser misericordioso assim como é o vosso Pai. Nesse texto aprendemos de Jesus que os filhos e filhas de Deus precisam fazer a diferença. Ter a coragem de fazer mais do que o que todos fazem. – Disse: Os maus também amam os maus. Os maus também ajudam os maus. Jesus diz que é preciso imitar a Deus – Ser misericordiosos como Deus é misericordioso, ao ponto de amar o inimigo. Essa nova ética proposta por Jesus, viver a ação misericordiosa de Deus. Prática que leva os cristãos a fazerem a diferença. Ou seja, não ser, não se comportar, não agir como os maus. A promessa de Deus, que haverá um novo céu e uma nova terra – Apocalipse; o anúncio de um banquete em que todos os povos participarão, são anúncios da futura ação de Deus. A salvação, a misericórdia de Deus criarão a plenitude de vida eternamente. Jesus traz para o mundo o A ação futura de Deus é o fundamento para o mandamento do amor ao inimigo. Esse mandamento chama filhas e filhos de Deus, libertados pela graça, para imitar Deus, o Pai misericordioso. Pela graça e fé, ao imitarmos Deus no mundo, nos incluímos no novo, na plenitude que virá das mãos de Deus. Amar o inimigo ilumina o presente, com o que há de vir – a nova Criação sem ódio, violência, humilhação, julgamento, humilhação, roubo, injúria, perseguição. Essa é a promessa de Deus. Essa palavra do evangelho de Lucas nos desafia a perguntar pelos nossos inimigos. Identificá-los. Muitos são os nossos inimigos, que também são inimigos de Deus. Todos os seres humanos que odeiam seus pais, Pais que odeiam filhos, que matam, roubam, adultera, mentem e praticam injuria, cobiçam, humilham, perseguem ... são inimigos da vida no mundo e inimigos de Deus. Nós mesmos podemos agir como inimigos uns dos outros e de Deus. Há inimigos entre nós, na comunidade, em muitos lares, na rua, no trabalho nos espaços de lazer, no trânsito, em todos os lugares. Entre nós e na sociedade – lá onde estiver o ser humano haverá violência, ódio, condenação, perseguição, roubos, humilhações, desprezo, ganância, mentira, ilusão. Mas Deus pode transformar, salvar os seres humanos. Com fé em Deus e praticando a sua misericórdia, nós pecadoras e pecadores podemos construir comunhão, armazenar bênçãos, descobrir o sentido para a vida, cuidar uns dos outros, receber coragem para servir, nos organizar em comunidade do Salvador Jesus Cristo e fazer a diferença. Quando praticamos a misericórdia de Deus, ganhamos a graça de no mundo participar dos sinais e da luz que aponta para o futuro, a plenitude da vida. Onde não haverá inimigos. O amor ao inimigo é mais um motivo que nos tornam sedentos de comunhão com Deus, de ouvir a sua palavra, de participar dos seus sacramentos, louvar, adorar, construir, sustentar comunidades, organizar grupos para agir, amar, cuidar, ouvir e falar, testemunhar e servir.

8 de dezembro de 2021

Maria participou na missão de Deus

Maria estava grávida do menino Jesus, o filho de Deus. Ela participou na missão de Deus de revelar ao mundo e à Criação o rosto do amor, o poder salvador. Isabel disse a Maria — Bendita é você entre as mulheres, e bendito o fruto do seu ventre! E que grande honra é para mim receber a visita da mãe do meu Senhor! Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor. A fé e a confiança no que virá envolveu Maria de alegria, a alegria de ser serva do amor de Deus, a alegria de participar da ação salvadora de Deus, de nascer no mundo, através do menino Jesus. Maria está alegre. Uma israelita que recorda a ação de Deus a partir de Abraão. Ela sabe que, através da história, Deus sempre foi fiel. Ela conhece o amor de Deus. Ela acredita no que lhe foi anunciado, acredita na promessa de Deus, de torná-la mãe do Seu Filho Jesus, o Salvador. Felizes somos nós, hoje, que nos alegramos ao participar da missão de Deus de amar as pessoas, cuidar, doar, proteger, ouvir, orientar, de carregar fardos juntos. Felizes somos quando participamos em comunidades de Jesus Cristo, louvamos e agradecemos, nos alimentamos da palavra e do evangelho. Assim, encantados pela obra salvadora de Deus, com fé e coragem, tal como Maria, esperamos e confiamos nas promessas de Deus, na vida nova, no novo que virá das mãos de Deus. Logo já é Natal do menino Jesus. Temos motivos para a alegria e para alimentar a nossa fé nas promessas e na ação salvadora de Deus. Podemos ser como Isabel e Maria. Podemos participar da obra maravilhosa de Deus de iluminar o mundo com suas dádivas, com o seu amor, com o seu gesto de nos estender a mão, colocar-nos em seu colo, e nos guiar pelos caminhos de paz, de justiça, de fraternidade, de abrir os nossos olhos para vermos horizontes, traços e cenários do novo que chegará. Abençoado Advento! Logo vem o dia de celebrar e viver a fé na ação maravilhosa de Deus, na doação do amor, da luz, da salvação ao mundo e à humanidade. Que a presença de Deus lhe transforme e lhe encha de alegria. Participe da missão de Deus, não só com palavras, mas de fato e de verdade. Paz para você e para a sua casa!

7 de dezembro de 2021

Caminhar com Deus para o novo

Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e o mais ele fará. Sl 37.5 Uma palavra de confiança e esperança, fruto da fé do povo de Deus. Caminhar para o novo com a certeza de que Deus está à frente. No caminho haverá coisas ruins e coisas boas. O caminho não será uma escada que avança perfeitamente em direção ao céu. Ele é como uma estrada em que há belas paisagens, mas também abriga tempestades, que oferecem risco a quem caminha. Essa palavra do Salmo anuncia a fé de quem já confiou o seu caminho a Deus, e viu que Ele se faz presente, guia e salva. A passagem para um novo ano traz esta mensagem. É semelhante a uma estrada que ainda não conhecemos e, por isso, não conseguimos prever tudo o que acontecerá. É preciso crer. Partir em direção ao novo com a confiança de que Deus está conosco e que chegaremos salvos no final da jornada. Assim, em cada novo ano superamos acontecimentos desafiadores, e construímos momentos de comunhão uns com os outros e com Deus, em meio à alegria e à dor, marcados por fracassos e superações. A repetição deste rito de passagem a cada final de ano pode parecer algo repetitivo e rotineiro. Mesmo assim, sempre esperamos o novo e alimentamos a esperança de que, com Deus, a vida será melhor nos próximos 365 dias de caminhada. Deus está conosco, e tal como o salmista orienta entregamos o novo que virá nas mãos de Deus. E, pela fé, descobrimos que há sempre espaço para a esperança de que coisas boas e novas nos aguardam, mesmo em meio aos desafios do cotidiano. Ano novo. Vamos caminhar!

O Encontro dos pastores com Maria, José e o menino Jesus

A tradição cristã nos facilita ter em mente o cenário do local onde nasceu Jesus. A estrebaria, os animais, o menino deitado na manjedoura, Maria e José. E não podemos esquecer os pastores de rebanho. Belém era uma região propícia para a criação de rebanhos ovinos. Certamente os pastores mantinham tradições do povo nômade. Sustentavam-se cuidando dos seus rebanhos. As estrebarias eram seus espaços de descanso, e em suas mediações acampavam, trabalhavam e viviam. Os pastores foram surpreendidos pelos anjos de Deus que anunciaram a eles a notícia do nascimento do salvador: “Um anjo do Senhor apareceu, e uma luz gloriosa brilhou...E a alegre notícia chegou: Hoje nasceu na cidade de Davi o salvador, o Messias, o Senhor. Os anjos espalharam alegria. Fizeram uma cantata. Cataram “Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem! (Lc 2.8-14). Os pastores foram os primeiros a chegar ao local do nascimento do Salvador, ali encontraram Maria, José e o menino na manjedoura. E contaram o que tinham visto e ouvido. Aquele encontro gerou diálogo, acolhida, comunhão, segurança e paz. E Maria guardava as conversas, os relatos e o testemunho em seu coração. Jesus nasceu em um espaço típico de um povo nômade. Eles eram desprezados, considerados impuros. Os fariseus – grupo religioso da época, os acusavam de enganadores e ladrões. Não tinham direitos civis. A vida e as atividades deles era a mesma dos grandes personagens da Bíblia: Abel, filho de Adão, as famílias de Abraão, Jacó, Arão, Moisés, Davi. Assim viveu a maioria que criou o Estado de Israel, chamado na Bíblia de povo de Deus. Os pastores de Belém, o povo rejeitado e considerado sem dignidade, foram os primeiros a receberem a notícia do nascimento de Jesus o Salvador. Maria, José e o menino Deus foram acolhidos, recebidos pelos criadores de animais, os pastores de Belém. No Natal em UNIÃO precisamos destacar essa escolha, essa ação de Deus, revelada no cenário do encontro de José, Maria, o menino Deus com os pastores de Belém. Testemunhamos que o salvador veio para um mundo de contradições, injustiças, exclusões. E, assim, iniciou a sua ação salvadora no mundo a partir dos sem poder e desprezados. O Natal em União destaca essa ação maravilhosa de Deus, que veio ao mundo para reconciliar, transformar e fazer novas todas as coisas. O menor é o mais importante. Ninguém pode faltar ao banquete da vida. Nasceu no mundo o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas. E a estrabaria, a realidade e o contexto dos desprezados e humildes não lhe são estranhos. E nós, nesse tempo em que vivemos, somos esse povo que necessita da notícia nova da salvação, de diálogo, acolhimento, segurança, paz, amor, e luz para os nossos caminhos.

18 de novembro de 2021

O último e o penúltimo

Vamos refletir sobre a chegada plena da salvação e sobre o tempo anterior, de espera, da vivência da fé. Para facilitar usamos de duas palavras: O penúltimo e o último. O último é o templo da plenitude, quando Deus fará novas todas as coisas (Ap 21.5). O penúltimo é o tempo em que vivemos aqui, na Criação de Deus, quando ainda somos humanos, pecadores. Creio que sobre o último não há muitas contendas, disputas sobre o verdadeiro, ideológico, político, humano. Há vários relatos sobre o céu e a eternidade. Mesmo diferentes, todos se referem a centralidade e ao poder criador, salvador e último de Deus. O nosso grande desafio está no tempo penúltimo. Na espera da plenitude permanecem em nossa vida e na igreja a imperfeição humana e o pecado. Clamamos no Pai Nosso “Venha o teu Reino”, mas queremos definir qual o reino que deve chegar. Mesmo com a antecipação da justiça de Deus, do seu perdão e do seu amor a vivência da fé em comunidade ou individualmente permanece nublada, imperfeita e provisória. No penúltimo, filhas e filhos de Deus fogem da cruz e duvidam da ressurreição. Sutilmente Anulam Jesus e sua obra de amor e salvação. Gritam “Senhor, Senhor”, mas não aceitam a presença de Deus, em Cristo, na realidade penúltima onde ainda há morte, mentiras, ódio, pecados e poderes da humanidade. Continue essa reflexão! Somos livres e praticamos a fé, por causa da ação salvadora de Jesus. Mas, devido a nossa condição humana, pecamos e insistimos nesse tempo penúltimo em humanizar Deus e em negar o seu amor e justiça.

3 de novembro de 2021

Os jovens e a esperança

Os jovens participam das comunidades, onde individualmente ou em grupos vivem a fé em Jesus Cristo. Assumem tarefas comunitárias, gestos e serviços que exigem amor e participação. Resistem aos limites impostos pela Pandemia do Covid 19. Não permitem que os seus dons, planos e sonhos sejam amarrados e apagados. Nesse tempo precisamos socorrer uns aos outros. Também os jovens precisam de ajuda, de estímulos para viverem a sua maior vocação, o dom de construir esperança e torná-la viva e real. A história nos conta que jovens promoveram mudanças, questionaram valores danosos. Sofreram e romperam com mentiras, violência e ódios presentes em suas casas, escolas e ruas. No cenário mundial, ainda hoje, jovens são protagonistas que promovem questionamentos, mudanças e tranaformações. Essa história e a vocação de Deus não autorizam conteúdo e valores da morte, da indiferença, de fundamentalismos e ações que sufocam, desanimam e adoecem os jovens. A participação deles nos espaços comunitários de fé e sua vocação não podem se apagadas. A vela acesa não pode ser colocada no porão da humanidade (Mc 4.21). Os jovens precisam de motivação e espaços para continuarem sua missão de servir e de encantar a vida com seus gestos, testemunhos, sonhos e esperanças. Nossas comunidades, toda a igreja e nossas casas precisam dos jovens, da sua vivacidade e vocação. Necessitam do encanto pela vida, alimentado pela esperança, sinais da missão de Deus que revelam a novidade de vida. Todos nós, filhos e filhas de Deus, quando cansados e desanimados, presos ao passado, necessitamos de luz, de esperança, de exemplos vivos que desviem nossos olhos e mentes para o novo que virá.

30 de setembro de 2021

Na escuridão Deus é a nossa luz

Deus é a nossa luz. Na escuridão Deus é a nossa luz. No caminho de Jesus não encontramos trevas. A pandemia aumentou a escuridão. Travou o movimento da sociedade, confundiu os poderes instituídos, paralisou instituições, setores da economia, a casa, as igrejas, atividades pessoais e comunitárias. Se estávamos no escuro, no início da pandemia encontramos com as trevas. Milhares morreram, milhares ficaram órfãos, milhares choraram o luto, milhares sofreram em hospitais. E a panemia continua. O céu ainda está nublado. Vivemos momentos difíceis. Conhecemos o que de fato é ser provisório, vulnerável, passageiros. Depois de um ano e meio vários horizontes são apontados, mas as previsões não são confiáveis. Não sabemos bem como serão os próximos meses e anos. Mesmo na escuridão conhecemos a luz, falamos da luz, testemunhamos a luz. Porque cremos que Deus está conosco. A promessa de Jesus Cristo foi real até agora. Não estávamos sozinhos e não estamos sozinhos. Reinventamos a forma de culto. Com tristeza sepultamos os mortos, colocamo-nos ao lado dos sofridos, ajudamos, repartimos e partilhamos com a fé em Jesus Cristo. Jesus Cristo nos iluminou e nos ajudou a construir esperanças. Tornamo-nos fortes. Resistimos. Servimos. Praticamos diaconia. Anunciamos a presença de Deus. A palavra de Deus continuou sendo estudada e proclamada. João 8.12: Jesus disse: - Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida. Andar nas trevas... Como é viver nas trevas? Sem rumo, sem caminho... O que conseguimos fazer nas trevas, no escuro? Na luz somos mais fortes. Temos mais liberdade. O que sabemos sobre a luz? A Criação inicia com a luz! Gn 1.1-3 : No princípio Deus criou os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre as águas. Então Deus disse: - Haja luz. E houve luz. Luz é muito importante para a vida. Todas as formas de vida do planeta necessitam, direta ou indiretamente, dos efeitos da luz solar para viver. No caso dos humanos, além da manutenção da temperatura ambiente, a incidência dos raios solares permite processos químicos importantes, como a produção de vitamina D, responsável pela fixação do cálcio em nosso corpo. A luz solar é fundamental, ainda, para que as plantas possam realizar a fotossíntese, processo através do qual os vegetais transformam gás carbônico em glicose (que é absorvida por eles) e em oxigênio (liberado para a atmosfera). Surpreendentemente, doenças como Alzheimer, Esclerose Múltipla, Depressão, Insônia são combatidas pela simples emissão solar. A sensação de alívio e prazer, contudo, é gerado por essa exposição capaz de acelerar a cura de várias doenças e contribuir, inegavelmente, para a qualidade de vida. A luz do Sol é Criação de Deus. A luz de Cristo é mais do que a luz do sol. A luz de Jesus é a luz de Deus. A luz de Deus no mundo ilumina nossos passos, mostra o caminho. Equilibra a nossa vida de fé. Quando tudo está confuso, misturado, brigado, na luz de Jesus Cristo, na luz de Deus encontramos respostas, verdade, vida. A luz de Jesus Cristo é maior do que a escuridão da morte e nos confirma a ressurreição. Na escuridão, no caos do mundo, na doença, no sofrimento, no abandono, na solidão, na pandemia precisamos da Luz de Deus. Ela é a nossa maior vitamina para a vida no mundo. Ela nos dá coragem para seguir em frente e esperar o novo que vem das mãos de Deus. Vamos caminhar pela luz de Deus. Queremos ser guiados pela luz de Deus.

Sair fora dos falsos deuses

2 Reis 5.17 – Naamã disse: De agora em diante eu não vou oferecer sacrifícios e ofertas que são completamente queimadas a nenhum deus, a não a Deus, o Senhor. Irmãos e Irmãs em Cristo! O rei Naamã, ao seu curado de uma doença grave, reconheceu Deus o Senhor, como único Deus. Prometeu não adorar e fazer sacrifícios a outros deuses. A idolatria, a adoração a outros deuses ainda está presente em nosso mundo. A busca por uma vida melhor, mais riquezas, mais felicidades, facilidades, privilégios, geralmente nos levam até falsos deuses. Deixamos de aceitar o amor de Deus, o evangelho, e buscamos deuses que podemos comprar, mandar e que fazem o que nós queremos e que nos digam o que queremos ouvir. A palavra de hoje é um testemunho de uma pessoa que decidiu jogar fora os outros deuses, os falsos deuses, e entregou a sua vida e tudo que tem ao Deus, o Senhor. Você, ouvinte, tem claro a sua opção de fé? Você adora e confia sua vida, e segue ao Deus do evangelho, Deus do amor, que veio ao mundo e venceu a morte e nos deu a vida que ressuscita? A palavra de hoje convida você para prestar atenção na sua vida e voltar-se para o verdadeiro Deus, que é luz do mundo, pai da eternidade, príncipe da paz. Esse é o Deus de misericórdia que sinaliza a nossa vida com os dez mandamentos. O Deus Espírito Santo que, desde o batismo, está presente em nossa vida. Esse é o Deus, o Cristo que, a partir da cruz e da ressurreição, se faz presente em nossa realidade, em nossa casa, em nossa cidade, em nossa vida. Esse é o Deus que tem o poder de nos consolar, nos amparar, de colocar-se ao nosso lado também quando tudo está difícil, também quando tudo vai mal: na doença, no luto, na perda, na injustiça, na falta de oportunidades. Esse é o verdadeiro Deus que encontramos na fraqueza. Ele não nos abandona quando perdemos. A sua sabedoria não é sabedoria humano. Esse é o Deus da comunidade cristã, da Igreja de Jesus Cristo que insiste em pregar o amor, a paz, a reconciliação, que anuncia o perdão, que valoriza os dons de cada um e chama a todas e todos para caminharem no caminho da busca pela dignidade, sendo solidários, doando, ajudando, socorrendo, orando, louvando, confraternizando, e juntos construindo esperança e confiança nas promessas de Deus. A palavra de hoje convida você e eu para abandonarmos as falsas esperanças, os falsos deuses e, em vez disso, entregarmos a nossa vida e o nosso caminho ao Deus de amor, o Senhor.

3 de agosto de 2021

Pai Nosso

Jesus revelou às pessoas e ao mundo o Deus Criador, misericordioso, o doador da vida. Em Jesus, tornou-se pessoa humana e revelou o amor. Transformou o mundo, a criação e as criaturas. Chamou para segui-lo. Dialogou com seus seguidores e seguidoras, com as filhas e filhos de Deus. Nesse diálogo ensinou a orar. Jesus ensinou a oração que conhecemos como o "Pai Nosso". Os discípulos e os vários grupos da época tinham dúvidas sobre a melhor maneira de dialogar com Deus, de clamar e agradecer. Uns tinham medo, outros oravam demoradamente e usavam a oração para engrandecerem a si mesmos. Jesus nos deu a oração que nos coloca em comunidade, em comunhão uns com os outros. E com a ação do Espírito Santo cria comunhão, respeito e amor entre os diferentes, entre todas as pessoas, e com todos os povos. Coloca todas e todos no mesmo banquete. O Pai Nosso ora para o único Deus, que está acima de tudo e com todas e todos. Um diálogo de fé que alimenta a vida. Aproxima os diferentes e os colocam em movimento no mesmo caminho. No catecismo Lutero destaca na explicação do Pai Nosso: Deus quer atrair-nos com estas palavras para crermos que ele é nosso Pai de verdade e nós somos seus filhos e filhas de verdade. Em comunidade, na oração do Pai Nosso ouvimos as vozes de dezenas, de centenas de filhas e filhos de Deus que clamam em comunhão. Todos os filhos e filhas de Deus naquele momento assumem que não são deuses, que não têm a verdade, que não são melhores ou maiores do que os outros e que Deus tem em suas mão o reino, Dele é o poder e a glória. Jesus nos ensinou a orar.

Desafios da Igreja nas Metrópoles brasileiras

Entre os desafios das Igrejas na metrópole, em especial, das comunidades da nossa IECLB escolho o teológico: Onde está a Cruz de Cristo nas ...