Entre os desafios das Igrejas na metrópole, em especial, das comunidades da nossa IECLB escolho o teológico: Onde está a Cruz de Cristo nas Cidades? Onde estão os sinais da ressurreição?
Esse assunto é prioridade para os cristãos da cidade. Quem tem olhos só para ver milagres, prosperidade, vitória, prazer, sucesso, não tem olhos para enxergar que Deus se revela no Crucificado. Martim Lutero afirmou que o conhecimento verdadeiro de Deus passa pelo Jesus crucificado. Deus revela o rosto da graça e do amor. Quem enxerga a Cruz de Cristo estampada na realidade urbana vê sinais da ressurreição, conhece a paz do Cristo de Deus.
Esse desafio teológico passa pela necessidade da contextualização da teologia, do falar de Deus, da constante tentativa de dar linguagem e voz à sua revelação, em espaços urbanos, com as pessoas da cidade. Na aparente ausência de Deus está a presença de Deus. As pessoas estão sempre em busca de felicidade, justiça e pão; também querem libertação da morte. Elas se movimentam em direção a Deus. Buscam a superação das suas fraquezas e necessidades. Os seus olhares, no entanto, direcionam-se ao sucesso, à prosperidade, à magia e ao poder e, assim, permanecem cada vez mais longe de Deus. Já a busca por comunhão com Deus e com as pessoas da cidade, que passa pela realidade da cruz, pelo aparente abandono de Deus,as levam à cura e à felicidade com dignidade. Por isso cremos que também as Metrópoles abrigam a contínua presença salvadora de Deus, através do Cristo da Cruz e da ressurreição.
O enfrentamento a esse desafio teológico conduz as Igrejas e as Comunidades ao diálogo e a interação com o seu contexto urbano, onde está estampada a Cruz de Cristo. Ali, pela graça e ação do Espírito Santo, através da Diaconia e da missão, as pessoas e as comunidades podem conviver com os sinais do reino de Deus e olhar com liberdade para os sinais transformadores da ressurreição.