1 de março de 2013

Viver Comunidade na Cidade


Viver a fé cristã em comunidade nas cidades é um bem precioso e ao mesmo tempo um desafio. A fé cristã, a comunhão com Deus, o chamado para amar a Deus e uns aos outros movem as pessoas para a vivência da fé em comunidade. Na cidade, no quotidiano, impactado pelo movimento urbano enfrenta-se a dificuldade para administrar as prioridades. Pode-se afirmar que nesse contexto as pessoas são agendadas ao ponto de comprometer suas opções. E a vida comunitária de fé exige opção, comprometimento, participação. A fé cristã não é uma mercadoria, um bem material a ser adquirido, tal como um objeto pessoal de uso privado. A vivência da fé cristã cria a interação com Deus e com o outro. E, por isso, se faz necessário comprometimento, fidelidades e identificação. O ganho não é episódico. Ele se substancializa na interação com a presença de Deus, que comunitariamente torna-se percebida e alcançada quando há comunhão, diálogo, doação, serviço e amor, quando a comunidade cuida uns dos outros e é conduzida pela ação salvadora de Deus.
As comunidades luteranas nas metrópoles do sudeste brasileiro nasceram com a influência do modo comunitário de ser Igreja. O templo e a estrutura física, o espaço comunitário foi construído depois. Os cultos, os estudos bíblicos e a articulação de tarefas comunitárias e de serviço aos outros, a diaconia e a evangelização aconteceram primeiro, nas casas, ou em espaços pequenos e improvisados. Com doação e espírito de corpo construíram seus espaços para a vida comunitária e testemunho da fé em Jesus cristo. Foram preparados e construídos a partir da visão e da dimensão comunitária da fé.
Em épocas diferentes as comunidades luteranas correram o risco de contradizer o conteúdo da fé, ao permitirem que a vida comunitária recebesse influência e motivações de forças de proteção interna, exclusão do outro, do desconhecido, do necessitado, dos que viviam à margem ou perseguidos na sociedade desigual e injusta.
Hoje essas mesmas características e forças comunitárias, pela graça de Deus, tal como no passado, voltaram a servir e a se inserir no contexto e na realidade urbana como sinais de paz, porta vozes da esperança e da dignidade de vida, que questiona o comercio da fé, a manipulação do sagrado, também os valores, poderes e estruturas da sociedade que instrumentalizam a Criação, os seres humanos e a vida em peças de um grande mercado.
O jeito luterano de viver a fé cristã se apresenta no labirinto das cidades como um espaço alternativo e singular para as pessoas buscarem a Deus. Oferece o caminho da vivência da fé a partir da comunhão uns com os outros e desenvolve uma rede de interações e compromissos. Por exemplo, práticas e ações comunitárias que promovem atividades, tais como, encontros, atividades litúrgicas e de formação, envolvimento em projetos públicos e diaconais. Esse modelo de vivência da fé pressupõe a partilha, participação e doação despidas de interesses e satisfações pessoais, e as motivações relacionadas ao chamado, a vocação e a missão de Deus a partir da proclamação das Sagradas Escrituras, da administração dos sacramentos e da construção de sinais da vida plena que há de vir.
As metrópoles estão repletas de sinais. Nelas a vida não seria possível sem eles. Indicam e revelam caminhos, endereços, também onde há perigo, ameaças, violência, da mesma forma, onde encontrar-se com o outro, espaços para trabalhar, passear e descansar. O contexto urbano é formado por sinais e espaços que são essenciais para a existência humana.
A comunidade cristã, preparada para oferecer a vivência comunitária da fé apresenta-se nesse contexto como um precioso espaço de cuidado com a vida, embebido de amor, alegria, gratidão, liberdade e paz. Hospeda a presença de Jesus Cristo, a sua paz, o evangelho. Reúne e acolhe pessoas, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos para naturalmente resistir aos meios da morte, às propostas hedonistas de vida e, assim, interagir na realidade urbana de forma profética e propositiva, com coragem e esperança.
Não é o único e o mais popular. Com as dificuldades de fazer escolhas e definir prioridades, as pessoas nas cidades geralmente não qualificam o espaço comunitário da fé cristã como primeira necessidade. Além do primeiro espaço da casa, movimentam-se nos espaços públicos e privados de trabalho, educação e lazer.  O espaço comunitário religioso da comunidade cristã, quase sempre é o penúltimo.
Na sombra das prioridades urbanas permanece o desafio de garantir ao espaço da comunidade cristã o carisma, a força e o dom de incidir em diferentes contextos das metrópoles com a mensagem, espaço e sinal, que cria dignidade e novidade de vida, o bem precioso que em plenitude há de vir.
(Guilherme Lieven)

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